Radiossondagem e previsão de curto prazo

O diagrama “skew-T x log-P” é uma ferramenta essencial na meteorologia para analisar a atmosfera com base em dados de radiossondas. A análise visual de uma radiossondagem em um diagrama termodinâmico pode fornecer várias pistas valiosas para uma previsão de curto prazo (agora até ~6 horas). Veja mais sobre a parte teórica nos posts Diagrama termodinâmico atmosférico e Identificação de nuvens por diagramas termodinâmicos.

Diagrama Skew-T da radiossonda emitida às 19h00 em Birmingham, Alabama, na noite de 27 de abril de 2011, dia do tornado EF-4 de Tuscaloosa-Birmingham. Fonte: NOAA
Diagrama Skew-T da radiossonda emitida às 19h00 em Birmingham, Alabama, na noite de 27 de abril de 2011, dia do tornado EF-4 de Tuscaloosa-Birmingham. Fonte: NOAA

No diagrama, são traçadas duas linhas principais: a temperatura do ar (linha vermelha) e o ponto de orvalho (linha azul), que fornecem informações sobre a umidade e estabilidade em diferentes altitudes. A temperatura geralmente diminui com a altura, mas pode apresentar inversões — quando aumenta com a altitude —, o que indica camadas estáveis e até a presença da tropopausa. A proximidade entre as linhas de temperatura e ponto de orvalho revela altos níveis de umidade relativa e possíveis formações de nuvens. O vento, obtido via GPS, também é representado, permitindo avaliar a direção e intensidade em diferentes níveis.

1. Estabilidade atmosférica

Inversões térmicas (curva de temperatura subindo com a altura) indicam estabilidade, inibem convecção e desenvolvimento de nuvens. Já camadas instáveis (curva de temperatura decrescendo rapidamente) favorecem a formação de nuvens convectivas e até tempestades. Exemplo visual: se a temperatura segue paralela ou cruza o gradiente adiabático seco, há instabilidade.

2. Formação de nuvens e altura da base

Onde a curva da temperatura do ar encontra a curva do ponto de orvalho, pode-se estimar a base das nuvens (nível de condensação da parcela – LCL). Subidas de parcelas secas até o LCL, e depois úmidas até onde cruzam a temperatura ambiente, indicam desenvolvimento de nuvens e até topos convectivos.

3. Potencial para tempestades

CAPE (Convective Available Potential Energy) é a área entre a trajetória da parcela e o perfil ambiental onde a parcela está mais quente. Ele indica energia disponível para convecção (quanto maior, maior o risco de tempestades). Já o CIN (Convective INhibition) indica uma barreira para que a parcela comece a subir (quanto menor, mais fácil iniciar convecção). Visualmente, áreas positivas (CAPE) aparecem em laranja ou vermelho; negativas (CIN) em azul nos Skew-T.

Representação de LCL, CAPE e CIN em uma radiossondagem no diagrama termodinâmico. Fonte: NOAA
Representação de LCL, CAPE e CIN em uma radiossondagem no diagrama termodinâmico. Fonte: NOAA

4. Perfil de vento (wind shear)

Vento em diferentes altitudes (barbatanas no lado direito) mostra mudanças de direção e intensidade com a altura. Cisalhamento forte pode favorecer tempestades organizadas, supercélulas e granizo.

5. Camadas de congelamento

Identificáveis pela isotermas de 0°C, são úteis para prever formação de granizo ou congelamento em aviões. Também indicam se a precipitação que se forma será em forma de neve, chuva congelante, etc.

6. Previsão de convecção e trovoadas

Curvas de temperatura com alta umidade próxima da superfície e presença de CAPE indicam possibilidade de convecção nas próximas horas. Se há CIN baixo e forçamento (como frente, brisa marítima, etc.), é provável que nuvens se desenvolvam rapidamente.

Exemplo prático (curto prazo): Se você observar alta CAPE (>1000 J/kg), baixo CIN, LCL abaixo de 2 km e vento fraco em superfície e forte em altos níveis (shear), há grande potencial para formação de nuvens convectivas e trovoadas nas próximas 2 a 6 horas.

Fonte

NOAA – Skew-T Plots

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.