Vila de Itatinga

Dentro dos limites do município paulista de Bertioga, está a pequena Vila de Itatinga. Seu nome vem do indígena e significa “pedra branca” – é possível vê-la no trajeto para a vila, ficando nessa cor devido ao reflexo do sol sobre uma camada de água que as vezes escorre sobre ela. Construída no início do século XX e inaugurada em 1910 pelos ingleses para abrigar os trabalhadores de uma usina hidrelétrica. Seu acesso ocorre por barco e bonde que sai do porto diretamente até a vila.

Visão geral de Itatinga a partir do morro com a casa do engenheiro chefe: casas, trilhos, linhas de transmissão, escola e meiosd e transporte (maria fumaça e locomotiva com vagões de passageiros e cargas). Foto: ViniRoger

A Vila de Itatinga tem um estilo próprio, guardando o mesmo tipo de vida da época de sua fundação. É cercada pela Serra do Mar de um lado, com mata atlântica ainda preservada e o Rio Itapanhaú de outro, impedindo naturalmente assim o grande fluxo de pessoas ao local. Possui escola, posto médico, padaria, cinema/teatro, a Capela N. Sra. da Conceição e 54 casas em estilo inglês bem preservadas. As construções ladeiam a via férrea, que se estende até o interior da usina.

Antigo cinema (esq.) e posto médico. Foto: ViniRoger

A história da Usina de Itatinga começa em 1903, quando a então Companhia Docas de Santos (administrada pelas famílias Guinle e Gaffrée) comprou parte da Fazenda Palaes. Projetada pelo engenheiro Guilherme Benjamim Weinschenk, a usina começou a ser construída em 1905, juntamente com a ferrovia. Inaugurada em 1910, a usina possuía potência nominal de 20.000 kVA, sendo sua energia destinada à eletrificação das instalações do porto (iluminação geral do cais, armazéns e escritórios).

Usina de Itatinga: recebe água do planalto em grandes canos para girar as turbinas. També é possível ver o trator que puxa os vagões do bonde. Foto: ViniRoger

A Hidrelétrica de Itatinga era, na época, uma das maiores usinas hidrelétricas do País em fio d’água (não há barragem, com a água vindo de uma represa parcial do Rio Itatinga) e também se tornou a de maior altura em termos de queda d’água. Atualmente, com uma geração de 1.500 MW / 34 kV, ainda atende a 80 % da demanda da área portuária.

Capela N. Sra. da Conceição. Foto: ViniRoger

Capela N. Sra. da Conceição. Foto: ViniRoger

O principal meio de transporte da região é um pequeno bonde, que leva os moradores e visitantes do porto da Codesp, junto ao Rio Itapanhaú, até o centro da Vila. É um percurso de 30 minutos com 7,5 km de extensão e as estações do porto, duas intermediárias e a da usina. O bonde era movido a eletricidade, mas depois foi adaptado um trator à diesel para rodar sobre os trilhos e puxar os vagões.

Esse vídeo, feito nos anos 1980, mostra como era o acesso via barco e bonde (que não mudou muita coisa):

Segue também uma reportagem feita pelo Antena Paulista sobre a vila:

Existem algumas opções de trilhas:

  • Trilha das Ruínas – começa nas ruínas da Igreja de Nossa Senhora dos Pilares (ou Pelaes), do século XVII, e margeia o Córrego Fazenda até à área de captação conhecida como Pelaes, que forma bela queda d’água (duração de 40 minutos)
  • Trilha da Captação – com árvores de maior porte, passa por áreas de transição da vegetação de restinga para mata de encosta, atravessando regatos em rústicas pontes e margeando o Ribeirão Tachinhas (1,5 km de extensão)
  • Caminho de Pedra – liga a área de planície ao alto da Serra do Mar (a 730 metros de altura), possui calçamento com pedras e permite já em seu primeiro trecho (de 1,2 km) ver a paisagem da planície, com os rios Itapahaú e Itatinga, o mar e a vegetação; três horas de percurso depois, o visitante atinge um belvedere, de onde avista toda a região desde Bertioga até Alcatrazes (6 km de extensão)
  • Trilha dos Três Poços – margeia um córrego até chegar a um poço decorado por grandes rochas, sobre as quais a água corrente forma duchas naturais (duração de 30 minutos)

Cachoeira da trilha dos três poços. Foto: ViniRoger

O vale do Rio Itatinga possui águas frias com trechos de correnteza rápida alternados com cachoeiras e várias piscinas naturais, em meio a densa vegetação em que se destacam as muitas variedades de bromélias e rica fauna.

Ponte, trilho e um dos vários ribeirões da região. Foto: ViniRoger

Como chegar

O município de Bertioga liga-se com o planalto pela Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), com a Ilha de Santo Amaro (Guarujá) por meio de um serviço de ferry-boat, com Santos e São Sebastião pela Rodovia Rio-Santos (SP-55/BR-101). Junto ao trevo de Bertioga (próximo à ponte sobre sobre o Rio Itapanhaú, onde vendem o famoso “pastel do trevo de Bertioga”), está a rua Manoel Gajo, um retão de terra que termina no no porto de onde sai o barco da CODESP para atravessar o rio. Já do outro lado do rio, sai o bonde com destino à vila. Tudo em horários prefeitamente cronometrados.

Rio Itapanhaú e portinho da CODESP vistos do lado com acesso à Rio-Santos. Foto: ViniRoger

A vila possui acesso restrito a visitantes, pois tem controle da CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo).

Veja no Google Maps abaixo uma imagem de satélite da vila e sua localização em Bertioga:

Bertioga

Durante o início da colonização portuguesa, no século XVI, a região era considerada de transição entre o território tupinambá (que ia desde o cabo de São Tomé, no atual estado do Rio de Janeiro, até o rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba) e o território dos tupiniquins (que ia desde as cercanias de São Vicente, passando por Itanhaém e Peruíbe, até Cananeia). Sofrendo constantemente ataques dos tupinambás, os portugueses do núcleo vicentino decidiram construir o forte de São João de Bertioga, atualmente considerado a mais antiga fortificação portuguesa no Brasil.

Bertioga foi um distrito de Santos até 30 de dezembro de 1991, quando tornou-se um município independente.

Fontes

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