Veneza

Veneza é uma cidade e comuna italiana (equivalente ao município, no Brasil) da região do Vêneto, província de Veneza, no nordeste de Itália. A comuna de Veneza inclui as ilhas de Murano, Burano e outras na lagoa de Veneza, sendo que a parte de Veneza em terra firme é a fracção comunal de Mestre. O principal núcleo da cidade, o seu centro histórico, é constituído por um conjunto de ilhas no centro da lagoa. Veneza está rodeada de lagoas de pouco profundidade, e isso valeu-lhe sempre como excelente defesa pois navios encalhavam facilmente quando não conheciam os fundos. Era também uma cidade entrincheirada protegida por grandes “muralhas”: bancos de areia que ficam quase a descoberto na baixa-mar nos acessos ao mar Adriático.

Grande Canal de Veneza (gôndolas e barco da Alilaguna à direita). Foto: ViniRoger

Grande Canal de Veneza e Basílica de Santa Maria della Salute (gôndolas e barco da Alilaguna à direita). Foto: ViniRoger

Foi capital da República de Veneza e tornou-se uma potência comercial a partir do século X, quando sua frota já era uma das maiores da Europa graças aos lucros do comércio com o Oriente. Com uma história rica e complexa, foi um império de influência mundial comandado pelos doges (variação do nome “duque”), os líderes da cidade. A queda de Constantinopla em 1453 marcou o princípio da decadência. A descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama (1498) e a descoberta da América por Cristóvão Colombo (1492) deslocaram as rotas de comércio e Veneza viu-se obrigada a sustentar uma luta esgotante contra os turcos otomanos.

Como chegar nas ilhas

A cidade foi construída sobre um arquipélago de 118 ilhas, unidas por 400 pontes e separadas por 177 canais, estando ligada ao continente desde 1846, quando foi construída a ponte ferroviária. Em 1933, a Ponte della Libertà, com 4 km trouxe para a entrada da cidade o tráfego rodoviário, ligando Mestre à Piazzale Roma (estação Santa Lúcia).

O aeroporto Marco Polo fica na parte continental de Veneza. Uma opção de transporte do aeroporto para as ilhas é o Aerobus, o ônibus com bagageiro da ATVO (a companhia de transportes local), que leva ao terminal de ônibus da Piazzale Roma em 20 minutos. No site da empresa, tem as linhas e horários dos ônibus (veja linha 35 ). Da Piazzale Roma, você pode pegar um vaporetto (transporte público via barco para todas as ilhas). Se não tiver muitas malas, pode usar os serviços da ACTV, que conta com ônibus sem bagageiros.

A Alilaguna é um serviço de transporte público que liga Marco Polo à Veneza, formada por três linhas: azul (passa em Murano, na praça San Marco e Terminal de Cruzeiros), laranja (vai “por dentro”), vermelha e verde (ilhas). Clique no link para ver os mapas e horários. Funciona das 6h à meia noite e comprando ida e volta sai mais barato.

O Grande Canal forma a maior via aquática de tráfego da cidade. Tem seu “início” na laguna perto da estação de trens, fazendo uma curva em forma de grande “S” pelos distritos centrais, os sestieri, e termina junto à Basílica de Santa Maria della Salute, próximo à Piazza San Marco, com uma profundidade média de cinco metros.

Como se locomover nas ilhas

O transporte público mais comum é um barco chamado “Vaporetto”, com bilhetes que valem para uma hora na mesma direção (ou seja, dá para parar no caminho e reembarcar no mesmo sentido antes de expirar o prazo) ou através do passe, que vale para 12, 24, 36 ou 48 horas ou 7 dias. As linhas principais do vaporetto funcionam entre 5h e meia-noite.

Existem também passes de vaporetto combinados com o ônibus do aeroporto. É preciso validar o passe antes de embarcar em uma das maquininhas dos pontos de embarque: basta chegar perto da máquina e o painel avisa se está válido ou não.

Conforme você desliza ao longo do Grande Canal, você vai se maravilhar com os palácios e igrejas fabulosos na margem. Sugestões de paradas: Ponte Rialto, Campanella, Piazza e Basílica de San Marco.

Andar a pé nas estreitas vielas e pontes com degraus exige bastante atenção. Começando com uma excursão a pé pela cidade, explore a área em torno da Piazza San Marco e a Ponte Rialto. Conheça as principais atrações e pare para tirar fotos em frente a peças culturais importantes de Veneza, como o Teatro la Fenice, a Scala del Bovolo, Basílica San Marco, Palacio Dodge e a Ponte Rialto.

Ponte Rialto (em detalhe, cenas do comércio da ponte a noite). Estação do vaporetto à direita. Fotos: ViniRoger.

Ponte Rialto (em detalhe, cenas do comércio da ponte a noite). Estação do vaporetto à direita. Fotos: ViniRoger.

Pontes

A Ponte dos Descalços (um único arco de pedra da Ístria) é uma ponte da cidade de Veneza, que junto com a Ponte de Rialto, a Ponte da Academia e a Ponte da Constituição são as quatro únicas pontes que atravessam o Grande Canal. A Ponte de Rialto é a ponte em arco mais antiga e mais famosa sobre o Grande Canal. Foi substituída por volta de 1250 por uma ponte de madeira, com duas rampas inclinadas que se uniam a uma secção móvel, que podia ser elevada para que passassem barcos altos. A ponte de pedra que hoje existe é formada por um único arco construída entre 1588 e 1591. Possui lojas e escadaria no meio.

Atrações turísticas

Palácio Ca' d'Oro. Foto: ViniRoger

Palácio Ca’ d’Oro. Foto: ViniRoger

  • Ca’ d’Oro – palácio e atual museu voltado para o Grande Canal, foi edificado entre 1421 e 1440 no estilo gótico florido. A denominação deriva do facto de, no início, algumas partes da fachada serem recobertas a ouro.
  • Ca’ Rezzonico – fachada principal voltada para o Grande Canal, acolhe o Museo del Settecento Veneziano, um museu público dedicado ao século XVIII veneziano.
  • Museu Correr – situado na praça de São Marcos, em frente à basílica de São Marcos. Tem decoração neoclássica e um coleção de arte, documentos, objetos antigos e mapas que refletem a história e a vida quotidiana.
  • Coleção Peggy Guggenheim – obras de arte localizadas no Palazzo Venier dei Leoni, um inacabado palácio do século XVIII.
  • Palazzo Ducale (ou Palácio do Doge) – obra-prima do gótico veneziano, localizado na Piazza San Marco e construído entre 1309 e 1424. Antiga sede do Doge de Veneza e da magistratura veneziana, é hoje sede do Museo di Palazzo Ducale. A entrada é conhecida como Porta della Carta, possui pátio interno, estátuas e diversas salas. A Ponte dos Suspiros liga o Palazzo Ducale às Prigioni Nove, o primeiro edifício no mundo construído para ser uma prisão.
Ponte dos Suspiros. Foto: ViniRoger.

Ponte dos Suspiros. Foto: ViniRoger.

  • Palazzi Barbaro – união de dois palácios, sendo um construído no estilo gótico (1425) e o outro no estilo barroco (1694).
  • Palácio Contarini del Bovolo – pequeno palácio de Veneza localizado próximo à Ponte de Rialto, muito conhecido pela sua escadaria de caracol no exterior, que tem um grande número de arcos. Datado do século XV, escadaria de caracol conduz a uma galeria, de onde se oferece uma encantadora vista panorâmica.
  • Palazzo Grassi – imponente edifício de mármore branco, situado no Grande Canal, construído entre 1748 e 1772. É um edifício tardio entre os palácios do Canal, pois tem um classicismo acadêmico que está fora do contato com o entorno românico bizantino e barroco dos demais palácios venezianos.

Existem diversas igrejas, sendo as principais:

  • Basílica de São Marcos – Localizada na Praça de São Marcos, um dos melhores exemplos da arquitetura bizantina. Edificada em 1063, apresenta uma planta em cruz grega (assim como a Basílica de Santa Sofia, em Constantinopla). As paredes foram recobertas com mosaicos, numa mistura dos estilos bizantino e gótico; o piso, do século XII, é uma mistura de mosaico e mármore em padrões geométricos e desenhos de animais. Os mosaicos contêm ouro, bronze e uma grande variedade de pedras. A Campanille, imensa torre veneziana construída para abrigar os sinos da basílica, permite uma vista panorâmica da cidade (veja o vídeo acima).
  • Basílica de Santa Maria della Salute – próxima da Punta della Dogana (Ponta da Alfândega), foi construída como ex-voto dos habitantes venezianos por causa da peste que em 1630 dizimou a população. A fachada apresenta um grandioso portal com quatro grandes e altíssimas colunas coríntias. O corpo central é de forma octogonal com uma grande cúpula hemisférica, circundada por seis capelas menores.
  • Basílica de São Jorge Maior – localizada na pequena ilha de San Giorgio Maggiore, em frente à Praça de São Marcos, fazendo parte do mosteiro homônimo, edifício terminado em 1576. A fachada é em forma de templo clássico, com uma só entrada, com quatro colunas compostas sobre altos plintos (elemento que fica diretamente sob a base de um pilar), com um entablamento (conjunto de arquitrave, que é a viga que repousa sobre a parte superior da coluna, friso, que é um espaço compreendido na parte superior, e cornija, que é uma faixa horizontal que se destaca da parede) por cima onde se sustem um tímpano (espaço sobre o portal de entrada) clássico. A solução inventada por Palladio para esta fachada é fantasiosa e é uma contribuição original para a resolução de um dos problemas mais sentidos pelos arquitetos renascentistas, que era o de encontrar o modo de dotar um aspecto inspirado no templo clássico a um edifício tripartido como a igreja cristã de três naves.
  • Igreja de Santa Maria dos Milagres – A igreja foi edificada entre 1481 e 1489 em estilo do renascimento veneziano: mármore branco, rosa e serpentina, colunas falsas nas paredes, parte alta da fachada semicircular, etc.
  • Igreja de Santo Estêvão – localizada no extremo setentrional do Campo Santo Stefano no sestiere de San Marco, não muito longe da ponte da Academia. Foi fundada no século XIII, reconstruída no século XIV e alterada de novo em inícios do século XV, quando se adicionaram uma fina entrada gótica e um teto com forma de quilha. Caso quase único na cidade, o abside da igreja é também uma ponte por debaixo da qual corre um rio navegável.
  • Igreja de San Barnaba – originalmente uma igreja medieval, foi reconstruída e tornou-se um espaço para exposições. Foi um dos cenários do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, que era uma igreja convertida em biblioteca: o Indiana quebrava o chão, descobria um túnel e no fim da tomada ele saía de um bueiro na praça de frente para a Igreja (veja o vídeo abaixo com as cenas do filme em Veneza). As cenas do interior da biblioteca são de outro lugar – clique no link para ver a Igreja de San Barnaba por dentro e a exposição sobre os inventos de Leonardo da Vinci em seu interior.

Veja também esse mapa interativo de atrações turísticas de Veneza e os posts Veneza: como chegar e como se locomover e Como se locomover em Veneza. Segue link para o vídeo do Nerdtour na região.

A uma hora de distância por estrada, fica a cidade de Verona, imortalizada na história de amor entre Romeu e Julieta – veja esse roteiro de um dia em Verona.

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