Rio Branco, Acre – eu fui!

No extremo oeste do Brasil, em plena floresta amazônica, existe uma região onde boa parte da natureza permanece preservada e habitada por povos com muita história. Nessa região está o Acre, estado mais ocidental do Brasil. Saiba mais sobre ele e sua capital, Rio Branco.

Rio Acre e bandeira do Estado, que possui duas partes, uma amarela que representa a paz e outra verde que representa a esperança. A estrela vermelha no canto superior esquerdo, chamada de

Rio Acre e bandeira do Estado, que possui duas partes, uma amarela que representa a paz e outra verde que representa a esperança. A estrela vermelha no canto superior esquerdo, chamada de “estrela solitária”, representa o sangue dos bravos (seringueiros brasileiros) que lutaram pela anexação da área do atual estado do Acre ao Brasil. Foto: ViniRoger.

Acre

O nome Acre origina-se de Aquiri, transcrita pelos exploradores desta região da palavra Uwakuru do dialeto dos índios Ipurinã e significa “rio dos jacarés”. Na região, foram encontrados inúmeros geoglifos (estruturas feitas no solo) com idade variável em até 2 100 anos. Em Xapuri, um buraco de esteio em boas condições foi localizado em um geoglifo de formato redondo, reforçando a tese de que os índios daquela época poderiam ter usado fortificações paliçadas para habitação e segurança.

Até o início do século XX, o Acre pertencia à Bolívia. Porém, desde o princípio do século XIX, grande parte de sua população era de brasileiros, principalmente nordestinos fugindo da seca, que exploravam seringais. Era o início do ciclo da borracha: período econômico importante da região norte que envolvia a extração de látex e comercialização da borracha derivada de seu beneficiamento.

Em 1899, os bolivianos tentaram assegurar o controle da área, mas os brasileiros se revoltaram e houve confrontos fronteiriços, gerando o episódio que ficou conhecido como a Revolução Acriana, onde foram liderados pelo militar José Plácido de Castro. A questão do Acre foi resolvida em 1903 com intervenção do diplomata Barão do Rio Branco e do embaixador Assis Brasil, em parte financiados pelos barões da borracha, que culminou na assinatura do Tratado de Petrópolis. O Brasil recebeu a posse definitiva da região em troca de dois milhões de libras esterlinas, de terras de Mato Grosso e do acordo de construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré.

O Acre foi integrado ao Brasil como território, dividido em três departamentos, depois unificado em 1920. A administração departamental exercia-se, até 1921, por prefeitos designados pelo Presidente da República. Essa subjugação causou intensas revoltas da população, iniciando as lutas pela autonomia, que depois ficaram no campo legislativo, durando até uma lei transformar o Acre em Estado, em 1962.

Abaixo, três vídeos mostrando Rio Branco: Segundo Distrito (bandeira gigante do Acre na Gameleira e ponte metálica sobre o Rio Acre), centro comercial (com mercado velho e ponte de pedestres) e Parque da Maternidade (em frente ao terminal urbano de ônibus):

Rio Branco

Segundo a tradição, em fins de 1882, numa pronunciada volta do rio Acre, uma frondosa gameleira chamou a atenção de exploradores que subiam o rio e levou-os a abrir um seringal ali mesmo. Assim começou a surgir a capital do Acre, em terras antes ocupadas pelas tribos indígenas Aquiris, Canamaris e Maneteris.

O seringalista Neutel Maia abriu dois seringais, onde hoje estão o bairro do Segundo Distrito (margem direita) e o Palácio do Governo (na época, Seringal Empresa). Com a anexação do Acre, Rio Branco foi elevada à categoria de vila, tornando-se sede do departamento do Alto Acre. Em 1909, a sede da prefeitura mudou para a margem esquerda do rio Acre, onde hoje funcionam os principais órgãos públicos como o Palácio do Governo, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa e Palácio das Secretarias, recebendo o nome de Penápolis (em homenagem ao então Presidente Afonso Pena), onde a terra era mais alta, não sujeita às alagações do rio Acre.

Em 1912, os dois lados da cidade passam a se chamar “Rio Branco”, em homenagem ao Barão de Rio Branco. A rua surgida em torno da Gameleira, na margem direita do rio Acre, era o centro da vida comercial e urbana. possui um clima equatorial (quente e chuvoso), mas entre maio e setembro, sofre ocasionalmente o fenômeno da friagem, registrando temperaturas mais baixas para os padrões regionais que podem atingir 12°C.

O Aeroporto Internacional de Rio Branco (Plácido de Castro) fica no quilômetro 18 da BR-364 (conhecida como via verde) na zona rural do município (ou seja, quase 20 km de distância do centro da cidade). O local foi construído em 1999, já que o aeroporto da época, o Aeroporto Internacional Presidente Médici, estava instalado numa área pertencente a um particular que, na justiça, conseguiu a reintegração de posse. Clique no link para ver fotos mais recentes do antigo aeroporto de Rio Branco.

Atrações turísticas (fotos: ViniRoger)

  • Palácio Rio Branco – construído em 1930 para abrigar a sede do governo do estado. Em 2008 foi transformado em um museu, onde são expostos fatos importantes da história do estado desde os seus primórdios.
  • Gameleira – Árvore histórica que fica na “curva” do rio Acre, onde a cidade nasceu. Possui mais de 2,5m de diâmetro no tronco, com 20m de altura.
  • Praça Plácido de Castro – Conhecida também por Praça da Revolução, localiza-se no centro da cidade, em frente ao quartel da Polícia Militar do Estado do Acre, da Prefeitura, Colégio estadual e da Biblioteca Pública.
  • Memorial dos Autonomistas – Possui um museu sobre a aquisição do Acre pelo Brasil (com um grande acervo de fotos históricas do estado, além de objetos históricos usados durante a Revolução Acriana), exposições de quadros de pintores regionais, um café e um teatro.
  • Catedral de Nossa Senhora de Nazaré – Inaugurada em 1959, é uma construção em estilo romano – basilical. No seu interior, possui três naves separadas com 36 vitrais coloridos na parte superior e 11 na inferior, doados por famílias acrianas.
  • Passarela de pedestres Joaquim Macedo – liga os dois distritos da cidade passando sobre o rio Acre. Foi construída com a tecnologia de suspensão por cabos e concluída em 2006, contando com iluminação diferenciada.
  • Museu da Borracha – O acervo do museu reúne peças de arqueologia, paleontologia (fósseis de animais pré-históricos), história, coleção de manuscritos e documentos referentes à História do Acre.
  • Mercado Velho – Localizado à margem esquerda do rio Acre, foi construído na década de 1920, sendo uma das principais construções em alvenaria da época. Passou por uma obra de revitalização, que resgatou a importância do espaço. Tem a loja do “Doutor Raiz“, que usa conhecimentos indígenas para cura de doenças. Destaque para estátuas de bronze em tamanho natural representando típicos acrianos.
  • Parque da Maternidade – Inaugurado em 2002, é um parque linear uma extensão de 6 km, cortando grande parte da cidade. Possui quadras de esportes, quiosques, restaurantes, ciclovia e pistas de skate.

Veja essa sugestão de passeio a pé pelo centro de Rio Branco:

Veja mais sobre o Parque Nacional da Serra do Divisor e os Caminhos para o Pacífico clicando nesse link. Para saber mais sobre a disputa de fronteiras com o Estado do Amazonas e sobre a questão de mudanças no seu fuso horário, clique nos respectivos links.

Existem muitas histórias afirmando que o Acre não existe. Na desciclopédia tem várias delas. Para saber notícias verdadeiras do Estado, um dos melhores sites é a Agência de Notícias do Acre.

Obs.: Antes do novo acordo ortográfico, era facultativo, podia ser “acreano” ou “acriano”. Mas, depois da reforma, “acreano” deixou de constar nos dicionários e no Vocabulário da Academia Brasileira de Letras. Convém saber que a terminação “-eano” só aparece em derivados de nomes próprios terminados em “-é” (Taubaté = taubateano) ou terminados em ditongo (Coreia = coreano; Galileu = galileano; Montevidéu = montevideano). Nos demais casos, sempre “-iano”: “açoriano”, “camoniano”, etc. Fonte: Português na rede.

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