Relógios de rua e qualidade do ar

A partir de maio de 2013, novos relógios de rua começaram a ser instalados por um consórcio de empresas (JCDecaux e Plucrono) em São Paulo. Ele é formado de uma área exposta para inserção de propaganda em cima e embaixo por um painel digital de alta intensidade luminosa, visível mesmo durante o dia, e controlado através de processamento local. O painel está programado para exibir horário, temperatura, qualidade do ar e mensagens de utilidade pública.

O relógio é sincronizado através de GPS.

As medidas de temperatura são realizadas por um termômetro eletrônio formado por um transistor. Ele é sensível às alterações de tensão elétrica, que é diretamente ligada à temperatura: quando o ar esquenta, ela diminui e vice-versa. Conforme o lugar de instalação do equipamento e do sensor, podem existir reduções ou aumentos de temperatura locais (sombras ou muitos veículos, por exemplo). Justamente por isso que estações meteorológicas fazem uso de abrigos padronizados para os sensores, quando as medidas são utilizadas em estudos científicos – veja sobre isso no post do Meteorópole “Termômetros de rua são confiáveis?”.

Qualidade do ar

Cada equipamento é conectado por meio de linha telefônica à central instalada na sede da Publicrono, que recebe, pela Internet, as informações sobre a qualidade do ar diretamente dos computadores da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

De acordo com a Cetesb, considera-se poluente “qualquer substância presente no ar e que, pela sua concentração, possa torná-lo impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, causando inconveniente ao bem estar público, danos aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade”. O nível de poluição atmosférica é medido pela quantidade de substâncias poluentes presentes no ar.

Os relógios mostram apenas uma escala de cores, que é o reflexo do cálculo de um índice consideram apenas alguns poluentes. Nessa conta, entram as concentrações de MP10 (material particulado inalável), MP2,5 (material particulado inalável fino), O3 (ozônio), CO (monóxido de carbono), NO2 (dióxido de nitrogênio) e SO2 (dióxido de enxofre) mensuradas durante um certo tempo, conforme tabela a seguir:

Qualidade Índice MP10
(µg/m3)
24h
MP2,5
(µg/m3)
24h
O3
(µg/m3)
8h
CO
(ppm)
8h
NO2
(µg/m3)
1h
SO2
(µg/m3)
24h
N1 – Boa 0 – 40 0 – 50 0 – 25 0 – 100 0 – 9 0 – 200 0 – 20
N2 – Moderada 41 – 80 >50 – 100  >25 – 50   >100 – 130  >9 – 11  >200 – 240 >20 – 40
N3- Ruim 81 – 120  >100 – 150  >50 – 75   >130 – 160   >11 – 13  >240 – 320 >40 – 365
N4- Muito Ruim 121 – 200  >150 – 250  >75 – 125   >160 – 200   >13 – 15  >320 – 1130 >365 – 800
N5- Péssima >200 >250 >125 >200 >15 >1130 >800

Quando a qualidade do ar é classificada como “boa”, os valores-guia estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) estão sendo atendidos. Na classificação “moderada, pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas) podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço. Com o ar “ruim”, toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta, enquanto que as pessoas de grupos sensíveis podem apresentar efeitos mais sérios na saúde. Se o ar estiver “muito ruim”, as pessoas sensíveis sofrem ainda mais. Finalmente, com o ar “péssimo”, toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares e acontece o aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis.

Fontes

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