Relato de incidente no aeroporto de Congonhas

Segue um relato pessoal de um incidente ocorrido nas proximidades do aeroporto de Congonhas, na capital paulista, no qual um ex-policial militar subiu em uma torre e causou o fechamento do aeroporto de Congonhas e de uma grande avenida adjacente.

Fotos: UOL/Futura Press e Globo/Jornal Nacional.

Fotos: UOL/Futura Press e Globo/Jornal Nacional.

Primeiramente, exite uma diferença entre incidente e acidente. A palavra acidente se refere a um desastre e a palavra incidente se refere a um acontecimento imprevisto sem consequências desastrosas. De acordo com os conceitos de segurança do trabalho, incidente é um “evento não planejado que tem o potencial de levar a um acidente”, ou seja, que afete ou possa afetar a segurança da operação. Veja mais detalhes no artigo “Diferença entre ACIDENTE e INCIDENTE”.

No dia 10 de agosto de 2012, estávamos minha então namorada e eu indo para o aeroporto de Congonhas para pegar um voo ao Rio de Janeiro (aeroporto Santos Dumont). Ela trabalhava para a TAM e seria sua primeira viagem de avião. Era final de tarde de uma sexta-feira e estávamos em um congestionamento na avenida Washington Luís, que passa ao lado do aeroporto e faz sua ligação com o centro da cidade.

O trânsito estava muito intenso, quase não saíamos do lugar, e começamos a desconfiar de algo anormal. Ligamos o rádio e escutamos a notícia de que um homem havia subido em uma torre de aproximação do aeroporto, fechando o trânsito da avenida em que estávamos. A torre de aproximação escalada pelo homem fica entre as pistas da Avenida Washington Luís.

Conforme avançava o tempo e se aproximava o horário de embarque, a ideia de descer do carro e ir andando era cada vez mais forte. Acabamos por tomar essa decisão, assim como outras pessoas. O viaduto próximo à torre estava fechado, então descemos por um acesso até a avenida dos Bandeirantes e a atravessamos a pé, fechando o trânsito ao sinalizar com as mãos junto com um grande grupo de pessoas. Ao passar próximo da torre, haviam pessoas que gritavam “pula logo”, achando que o homem que subira pretendia suicídio.

Tivemos que correr para entrar no aeroporto no limite do horário para embarque. Passamos pelo raio-x e fomos para o salão de embarque procurar o portão correspondente ao nosso voo, já próximo do horário do avião decolar. Ao falar com o funcionário da companhia aérea, ele nos informou que o aeroporto estava fechado para pousos e decolagens devido ao incidente do homem que subiu na torre de aproximação (coisa que não foi noticiada até então no rádio).

Esperamos o aeroporto reabrir e mais algumas horas até conseguirem nos encaixar em um dos voos seguintes. Acabamos por chegar depois da meia noite no aeroporto do Galeão, pois o Santos Dumont já estava fechado. A volta foi tranquila, conseguimos partir do aeroporto Santos Dumont normalmente.

Segundo Polícia Militar, esse homem era um ex-policial militar que havia sido afastado da corporação por problemas psiquiátricos. PMs e bombeiros tiveram que negociar para que ele, armado com um facão e com uma corda amarrada ao pescoço, se entregasse. Relatos afirmam que o homem utilizou fogos de artifício. O aeroporto ficou fechado para pousos das 17h37 às 19h, segundo a Infraero, e sete voos foram cancelados entre pousos e decolagens. A ocorrência também causou o fechamento da avenida Washington Luís por cerca de uma hora.

O militar afastado continuou internado sem previsão de alta no Pronto-Socorro de Psiquiatria do Hospital São Paulo no dia seguinte. A Polícia Militar não informou seu nome, somente que ele tem 29 anos, é casado, tem três filhos e estava afastado do 46º Batalhão exatamente por conta de problemas psiquiátricos. Ele passou por tratamento em várias ocasiões e, na última, recebeu autorização apenas para realizar trabalhos internos, o que teria causado o surto. Não encontrei mais notícias a seu respeito, mas acima de todo o incidente, deve ficar a mensagem que ele acaba passando, direta ou indiretamente: o desafio do equilíbrio emocional dos policiais.

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