Redução de visibilidade em aeroportos

Visibilidade é o parâmetro utilizado em meteorologia para indicar a medida da distância a que um objeto pode ser claramente percebido através do ar. O seu valor é em geral reportado nas observações meteorológicas de superfície e boletins METAR como a distância em metros (ou milhas) a que um objeto pode ser avistado.

Sistema ILS em cabeceira de aeroporto durante ocorrência de névoa (esquerda) e nevoeiro (direita).

Sistema ILS em cabeceira de aeroporto durante ocorrência de névoa (esquerda) e nevoeiro (direita).

A visibilidade meteorológica depende da transparência do ar e afeta todas as formas de tráfico, desde o rodoviário ao aéreo e marítimo. A redução de visibilidade por ocorrer devido a vários fatores, como a formação de precipitação (chuva, neve, etc), nevoeiro, poluição atmosférica e outros litometeoros. Veja mais detalhes nos tópicos a seguir.

Nevoeiro (sigla NVO, fog em inglês)

O nevoeiro (ou cerração) é uma nuvem stratus cuja base está no solo ou perto dele e reduz a visibilidade a menos de 1 quilômetro. São formados quando a temperatura do ar atinge a saturação, ou seja, o vapor d’água começa a passar para o estado líquido, na forma de gotículas. Isso ocorre a uma temperatura determinada teoricamente, chamada de temperatura do ponto de orvalho.

Existem algumas classificações de formação de nevoeiros, mas basicamente podem ser divididos em:

Nevoeiro de radiação – formado devido à perda de temperatura do solo através da emissão de radiação infravermelha (ou calor). Comum de se formar durante o período da noite, quando a superfície terrestre perde mais energia do que ganha, tem seu pico de ocorrência no início da manhã, que é o horário mais frio do dia. Assim, a temperatura do ar está mais próxima da temperatura do ponto de orvalho e mais perto da saturação. Em noites de céu claro (ou seja, sem nuvens), é mais comum de se formar, devido à perda radiativa ser mais intensa. Pode se desfazer com o aquecimento diurno da superfície e da atmosfera e também com ventos mais intensos.

Nevoeiro de advecção – formado quando ocorre a advecção (ou seja, o transporte horizontal) de massas de ar. Isso envolve o transporte de ar frio para a superfície quente e úmida de pântanos e lagos, de ar quente e úmido para superfícies mais frias do continente ou outras regiões oceânicas. Pode ocorrer também nas encostas de montanhas: o ar subindo expande, esfria e atinge a saturação, formando nevoeiro no topo de montanhas (por exemplo, a serra do mar e Paranapiacaba) ou também quando o ar frio desce e forma o nevoeiro nas regiões de vale (por exemplo, Mogi das Cruzes e Suzano, no vale do rio Tietê).

Veja mais fotos de nevoeiro nos slides 49 a 52 das aulas de Meteorologia.

Névoa úmida (sigla NVU, mist em inglês), Névoa Seca (NVS, haze) e litometeoros

A névoa é formada por partículas sólidas menores (por terem menor quantidade de água em sua composição) e mais dispersas do que as gotículas de nevoeiro. Assim, sua visibilidade é maior do que 1 quilômetro. Pode ser classificada em névoa úmida (NVU) se a umidade for maior do que 80%, geralmente possuindo uma coloração azul acinzentada. Também pode ser chamada de névoa seca (NVS) se a umidade for menor do que 80%, apresentando uma coloração marrom avermelhada.

Essas partículas sólidas suspensas no ar são conhecidas como litometeoro (do grego lithos que significa “pedra” e meteora que significa “elevado no ar”). Alguns exemplos são a fumaça (sigla FU, comum em regiões de queimadas florestais e industriais), poluição atmosférica, cinzas vulcânicas (veja mais no post Mayday! Desastres aéreos sobre o Voo British Airways 9, que entrou em uma região de cinzas vulcânicas) e poeira (sigla PO, típica de regiões de solo nu e desérticas, veja o vídeo abaixo).

Sistema de Pouso por Instrumento

Existem basicamente dois tipos de operação de aeronaves: voo visual, ou VFR (Visual Flight Rules) ou por instrumentos, ou IFR (Instrument Flight Rules). O IFR pode ser uma:

Aproximação de Não-Precisão – baseada em auxílios de rádio que não possuem indicação eletrônica de trajetória de planeio. Os auxílios que são executados neste tipo de aproximação são:

  • NDB(ADF) – nondirectional beacon (automatic direction finder).
  • VOR – very high frequency omnirange station
  • VDF – demonstrated flight diving speed
  • ASR – airport surveillance radar

Aproximação de Precisão – baseada em auxílios que possuem indicação eletrônica de trajetória de planeio (ILS).

  • ILS I : Visibilidade de 550 metros a uma altura de 200 pés
  • ILS II : Visibilidade de 365 metros a uma altura de 100 pés
  • ILS III: Visibilidade de O metros a uma altura de 0 pés.

O ILS (Instrument Landing System) é composto de dois tipos de antenas, instaladas na ponta e na lateral da pista de pouso. Elas informam às aeronaves sobre a distância e a inclinação delas em relação à pista.

Veja mais detalhes sobre “Aproximação ILS: instrução de cartas” e na aula do site da abrapiv clicando nos respectivos links.

Teto

O “teto” é uma altitude de visibilidade chamada de “Altitude de Decisão” (decision height), e existem algumas categorias de teto. Em outras palavras, teto seria a menor altitude possível de voar até aparecer a pista na frente. Por exemplo, considerando um aeródromo de Categoria 1, se o piloto descer até os 60 metros de altura e faltando menos de 550m para avistar a pista ele NÃO conseguir ver, ficou sem “teto” e aí tem que arremeter. Como os aeroportos podem medir esta visibilidade, eles definem quando estão “sem teto” baseado na categoria que o aeroporto for qualificado, e aí os aviões têm que ficar esperando melhorar ou alternam para outro aeroporto com melhores condições. Existe uma forma de calcular a base das nuvens para cada situação atmosférica e assim obter o “teto” vertical. Nesse site mostra como calcular altura da base da nuvem.

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