Passeios de trem no Brasil

Nos grandes centros urbanos, geralmente não é uma atividade prazerosa andar de trem ou metrô, devido a superlotação, demora nos tempos de viagens frente a outras atividades a serem realizadas, etc. Mesmo em países que os trens apresentam melhores condições de uso, as viagens acabam se tornando tarefas cotidianas. No entanto, existem roteiros turísticos em que é possível passear apreciando a natureza e conhecendo a história de diversas regiões do Brasil. Veja mais de vinte passeios de trem que podem durar de poucos minutos até alguns dias.

Trem do Expresso Turístico na Estação da Luz - a tripulação vai uniformizada. Foto: ViniRoger.

Trem do Expresso Turístico na Estação da Luz – a tripulação vai uniformizada. Foto: ViniRoger.

Algumas definições: trem é o conjunto todo composto pela locomotiva e pelos vagões ligados entre si e capazes de se movimentarem sobre trilhos. Os elementos que formam essa composição podem ser chamados de carros. A locomotiva é a parte principal que puxa os vagões, que pode ser movida a vapor (popularmente conhecida como Maria Fumaça), diesel ou eletricidade. Os vagões podem transportar pessoas e/ou cargas. Os trens podem possuir um ou dois carros motorizados (o segundo pode ir em qualquer parte da composição), para aumentar o desempenho; já o metrô possui todos os carros motorizados, o que permite aceleração e frenagem mais eficientes. Um ramal ferroviário é uma linha subsidiária de uma linha-tronco (principal) ou a outro ramal, e serve para ligar pontos importantes distantes da via principal, tendo geralmente poucas estações, enquanto que uma variante é um trecho de linha construído posteriormente (para encurtamento, melhoria de condições técnicas ou desafogo de parte do traçado) em que se destaca em certo ponto da linha primitiva para retomá-la mais adiante. Mais termos ferroviários podem ser vistos clicando no link.

Expresso Turístico da Luz – São Paulo

O Expresso Turístico é uma linha turística que faz viagens ligando a Estação da Luz a Paranapiacaba, Mogi das Cruzes e Jundiaí. Criado em 2009 e administrado pela Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos e pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). As viagens são feitas a bordo de uma composição formadas por dois carros de aço inoxidável fabricados no Brasil na década de 1950, com capacidade para 170 pessoas, e tracionados por uma locomotiva da década de 1950 movida a diesel, totalmente reformada. Durante o percurso, guias contam histórias sobre o sistema ferroviário paulista.

Locomotiva a diesel e interior de vagões utilizados no Expresso Turístico - detalhe para a bandeira de São Paulo na frente da locomotiva, pois era o dia de inauguração dos passeios para a população, sendo a primeira viagem realizada para Jundiaí; torre da estação Júlio Prestes ao fundo. Foto: ViniRoger.

Locomotiva a diesel e interior de vagões utilizados no Expresso Turístico – detalhe para a bandeira de São Paulo na frente da locomotiva, pois era o dia de inauguração dos passeios para a população, sendo a primeira viagem realizada para Jundiaí; torre da estação Júlio Prestes ao fundo. Foto: ViniRoger.

Os passeios até Jundiaí e até Paranapiacaba passam pela antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, primeira construída em solo paulista (entre 1862 e 1867). Em Paranapiacaba (veja mais sobre a Vila clicando no link), existe o Trem dos Ingleses: um passeio de locomotiva a vapor, com duração do passeio de 20 minutos, que percorre um trecho da linha original, no Pátio de Manobras, dentro do Museu Ferroviário. Já o trajeto até Mogi das Cruzes utiliza os trilhos da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, cuja construção foi iniciada em 1855 e ia até o Rio de Janeiro. Até 1998, existia o Trem de Prata (para passageiros) ligando São Paulo e Rio.

Paranapiacaba e o trem utilizado somente no pátio de manobras. (torre do relógio ao fundo) Foto: ViniRoger.

Paranapiacaba e o trem utilizado somente no pátio de manobras. (torre do relógio ao fundo) Foto: ViniRoger.

Os tickets devem ser comprados no guichê da estação da Luz, próximo às catracas que separam as escadas de acesso aos trens da CPTM e o acesso à Pinacoteca. Quanto maior o número de passageiros, maior o desconto no valor dos bilhetes. As viagens a Paranapiacaba são bem disputadas, e as vezes os tickets acabam no mesmo dia em que são postos a venda. Acompanhe as compras e veja os valores no site do Expresso Turístico – CPTM.

Foram anunciados projetos de novos destinos para o Expresso Turístico: São Roque (apelidado de Trem do Vinho, segue pela antiga Sorocabana), Aparecida (ou Trem dos Romeiros, seguindo pela antiga Central do Brasil) e Campos do Jordão (ou Trem da Montanha; na verdade, vai até Pindamonhangaba e faz baldeação com outro trem que já faz a subida da serra da Mantiqueira até o bairro Capivari). Os passeios a Campos do Jordão e Aparecida serão em semanas alternadas e sairão às sextas e o retornarão aos domingos.

Trem dos Imigrantes – São Paulo

Parte da Parada da Rua Visconde de Paranaíba, 1253 (Oficina de Roosevelt), indo até a rua da Mooca e, na volta, até a entrada da Estação do Brás, retornando ao ponto inicial. Os horários de partida dos passeios são, em média, a cada uma hora, sendo a duração aproximada de 25 minutos. A parada do Trem Cultural dos Imigrantes está anexa a antiga oficina de Roosevelt, da Estrda de Ferro Central do Brasil, inaugurada em 1909. Possui o carro de Primeira Classe de aço, da década de 1950 com poltronas, e o de Segunda Classe, do ano de 1900, com bancos duplos de madeira. Opera nos finais de semana e feriados pela ABPF (clique no link para ver mais informações, como dias e horários de funcionamento).

Trem de Guararema – São Paulo

A Maria-Fumaça 353 (conhecida como Velha Senhora) conta com três carros de passageiros da década de 1930 que comportam, ao todo, 150 passageiros. Circula entre a estação Central e o estação de Luis Carlos, por aproximadamente 7 quilômetros, sendo um trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil. Veja mais no post sobre Guararema e Luis Carlos.

Viação Férrea Campinas-Jaguariúna – São Paulo

O passeio geralmente é feito através de uma Maria Fumaça (401 ou 215, a reserva) e uma locomotiva movida a diesel (apelidada de “latinha de óleo”, fabricada em 1952, utilizada para não forçar demais a máquina a vapor). Percorre os trilhos da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Em 1926 e 1929, algumas velhas estações da linha foram realocadas para trechos retificados. O trem possui um ou dois vagões restaurante (com copa e mesas com duas ou quatro cadeiras) e uma banda musical passa de vagão em vagão.

Estação Jaguariúna da VFCJ com locomotiva a diesel e composição com Maria Fumaça e carro contendo madeira para queima sobre trilhos instalados em calçado e asfalto. Foto: ViniRoger.

Estação Jaguariúna da VFCJ com locomotiva a diesel e composição com Maria Fumaça e carro contendo madeira para queima sobre trilhos instalados em calçado e asfalto. Foto: ViniRoger.

Parte da estação Anhumas, em Campinas, passando pelas estações Pedro Américo, Tanquinho (com parada), Desembargador Furtado, Carlos Gomes (que possui a oficina de restauro dos trens) e finalmente Jaguariúna, inaugurada em 1945 para substituir a antiga estação de Jaguari, desativada na mesma época por ter ficado fora do leito com a construção da variante Guanabara-Guedes. Chegando em Jaguariúna, existe uma estreita ponte de 614 metros que dá a sensação de que o trem está andando no ar, já que não é possível ver o chão no nível dos trilhos. Mais informações no site da ABPF.

Estrada de Ferro Perus-Pirapora – São Paulo

Inaugurada em 1914, destinava-se inicialmente ao transporte de cal produzida na região. Porém, em 1926 passou a integrar o complexo minerador e industrial estabelecido pela Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus, suprindo de matéria-prima a primeira fábrica de cimento do Brasil. Com pouco mais de vinte quilômetros de extensão, ligava a estação Perus da antiga São Paulo Railway (posterior Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, atual CPTM) e o atual município de Cajamar. A licença para a construção da ferrovia previa um trajeto até a cidade de Pirapora do Bom Jesus, que nunca foi concluído. Para saber mais, visite o blog do Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural.

Estrada de Ferro Campos do Jordão – São Paulo

Aberta em 1914, sua função inicial era facilitar o transporte de doentes para os sanatórios de tratamento de Campos do Jordão. Por ser uma vila no alto da Serra da Mantiqueira, com clima da montanha ideal para as pessoas tratarem-se da tuberculose e outras doenças respiratórias. Em 1924 toda a estrada foi eletrificada pela English Electric, e passou a operar somente com automotrizes elétricas. Em seus 47 km de extensão até Pindamonhangaba, também passa por Santo Antônio do Pinhal. Nela está o Alto do Lageado, ponto culminante ferroviário do Brasil, com altitude de 1743 m (foto de capa do vídeo mais abaixo da Estrada do Toriba).

Bondes, Trem a vapor e trem prata na estação Emílio Ribas, em Campos do Jordão. Fotos: ViniRoger.

Bondes, Trem a vapor e trem prata na estação Emílio Ribas, em Campos do Jordão. Fotos: ViniRoger.

Dentre os passeios disponíveis partindo da estação Emílio Ribas e retorno à mesma, estão o trem a vapor que vai até Abernéssia, trem prata que vai até Santo Antônio do Pinhal e Pindamonhangaba (moderno, com banco estofado) e os bondes alemães, que operaram até 1956 no Tramway do Guarujá (ferrovia que pertenceu ao Governo do Estado de São Paulo) e vão até o Portal. Os bondes são de dois tipos: vermelho e amarelo (dois exemplares, com bancos de madeira) e todo de madeira (com bancos estofados), que pode puxar um vagão bem parecido. Também pertencente à EFCJ, funciona um teleférico que liga a estação de Emílio Ribas ao Morro do Elefante, a 1800 metros de altitude (vista do bairro do Capivari no final do vídeo abaixo).

Os ingressos devem ser adquiridos nas estações e acabam rápido – veja os preços, horários e disponibilidade no site da EFCJ. Caso queira um acesso rodoviário ao ponto do Alto do Lageado, ele fica na estrada do Toriba, poucos quilômetros de distância de seu entroncamento com a Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123). Acima está um vídeo da SP-123 no acesso para Santo Antônio do Pinhal (próximo ao mirante Nossa Senhora Auxiliadora e Estação Eugênio Lefévrè) e trechos do percurso entre o ponto culminante ferroviário e o final da estrada. Note que o acesso não é sinalizado, sendo mais facilmente visível de quem desce de Campos do Jordão sentido Vale do Paraíba.

Trem do Corcovado – Rio de Janeiro

Trem do Corcovado na estação Cosme Velho. Foto: ViniRoger

Trem do Corcovado na estação Cosme Velho. Foto: ViniRoger

Leva centenas de turistas até o Cristo Redentor e os mirantes que o rodeiam. A linha, com menos de 4 km, começa em Cosme Velho e segue até o cume do Corcovado, a uma altitude de 710 metros. Inaugurada em 1884, inicialmente utilizava tração a vapor. O sistema de tração elétrico foi instalado em 1910. A viagem, feita em terreno íngreme, dura apenas 20 minutos e sua velocidade não ultrapassa os 15 km/h. O trajeto, no entanto, permite admirar a beleza da Mata Atlântica que cerca a área – sentando-se à direita ao subir de trem, é possível vislumbrar a praia e pontos mais distantes. Atenção na previsão do tempo: é comum nevoeiros durante a manhã, que às vezes permanecem o dia todo. Mais informações no site Trem do Corcovado.

Trem da Vale – Minas Gerais

A companhia Vale administra um trem que liga Ouro Preto e Mariana, duas das mais importantes cidades históricas de Minas Gerais. A história da construção da ferrovia 18 quilômetros de extensão foi iniciada em 1883 em Ouro Preto, e depois teve seu prolongamento até Mariana concluído somente em 1914. O passeio turístico é feito em cinco vagões de passageiros que comportam 240 pessoas, puxados por uma locomotiva a vapor. O trem e quatro estações foram complatamente revitalizados recentemente. Os vagões mantêm o mesmo desenho dos antigos trens, com interiores em madeira. Destaque para o vagão panorâmico, que permite a visualização completa das belas paisagens e da cachoeira por meio da sua estrutura transparente. Maiores informações no site da Vale.

Estrada de Ferro Oeste de Minas – Minas Gerais

Locomotiva movida a vapor na estação de Tiradentes (julho de 1993). Foto: Maria Roggério.

Locomotiva movida a vapor na estação de São João Del Rey (julho de 1993). Foto: Maria Roggério.

O Ramal de Paraopebas começou a ser aberto em 1880, ligando com bitola de 0,76 cm as estações de Sitio (Antonio Carlos), junto à linha-tronco da Estrada de Ferro Central do Brasil (D. Pedro II) e Tiradentes. Mais tarde foi prolongada até São João Del Rey (1881), atingindo Aureliano Mourão em 1887, onde havia uma bifurcação, com uma linha chegando a Lavras em 1888 e a principal seguindo para o norte atingindo finalmente Barra do Paraopeba em 1894. Dela saíam diversos e pequenos ramais. A linha foi extinta em pedaços, com exceção do trecho S.J. Del Rey – Tiradentes, que se conserva em atividade até hoje, e o trecho Aureliano-Divinópolis, ampliado para bitola métrica em 1960 e ligando Lavras a Belo Horizonte. Bem em frente à estação de Tiradentes fica a rotunda, onde um mecanismo permite que a locomotiva inverta sua posição na linha férrea para voltar a São João Del Rei. O trem percorre 14 quilômetros durante 40 minutos. Margeia a Serra São José e o Rio das Mortes, sendo boa parte do trajeto em áreas urbanas. Operado pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela Vale. Mais detalhes no site Tiradentes.net.

Trem da Serra da Mantiqueira – Minas Gerais

O trem, com locomotiva movida a vapor de 1925, parte da estação central de Passa Quatro em direção a estação Coronel Fulgêncio, localizada no alto da Serra da Mantiqueira, próxima ao Grande Túnel, na divisa de estados entre São Paulo e Minas Gerais. No hall da estação de passageiros em Passa Quatro, os turistas podem visitar exposições fotográficas ao som de música típica mineira. Na estação de Manacá, existe uma feira de artesanatos. Em Coronel Fulgêncio, a 1.085 metros sobre o nível do mar, foram filmadas as séries de TV “Mad Maria” e “JK”. O passeio acontece aos finais de semana – veja mais no site da operadora, a ABPF.

Trem das Águas – Minas Gerais

Trem das águas na estação de São Lourenço. Fotos: ViniRoger

Com trajeto de duração de 2 horas (ida, um tempinho de passeio e volta) em 10 km de trilhos, o passeio é embalado por show ao vivo de violeiros. Partindo de São Lourenço, o trem movido a vapor segue para o município de Soledade de Minas, margeando o rio Verde e cruzando lindos vales. No desembarque em Soledade, o turista pode comprar artesanatos, bebidas e se deliciar com pratos típicos mineiros. O tour é realizado aos fins de semana e feriados – veja mais no site da operadora, a ABPF. Existe também a opção de comprar um ticket para os vagões com assentos estofados e degustação de produtos regionais (queijos, cachaça e doces).

Estrada de Ferro Vitória a Minas – Minas Gerais/Espírito Santo

A EFVM opera o único trem de passageiros diário no Brasil e liga duas capitais: Vitória, no Espírito Santo, e Belo Horizonte, em Minas Gerais. Não é um trem turístico, mas não deixa de ser um passeio interessante. O trem parte de Cariacica (região metropolitana de Vitória) às 7h e chega a Belo Horizonte por volta de 20h10; no sentido inverso, outro trem parte da capital mineira às 7h30 e encerra a viagem às 20h30. Há também um trem adicional que faz o percurso entre Itabira e Nova Era, ambas em Minas Gerais.

Em funcionamento desde 1907, a viagem dura cerca de 13 horas. O serviço transporta cerca de um milhão de passageiros por ano e percorre 664 quilômetros de regiões de belas paisagens e importância histórica durante. No trem, há vagão que funciona como lanchonete, outro para restaurante, vagão exclusivo para portadores de necessidades especiais e ar-condicionado no carro executivo, com serviço de bordo em todos os ambientes. Mais informações no site da Vale.

Trem das Montanhas Capixabas – Espírito Santo

Reativada em 2010 para passeios turísticos, a linha tem 46 km e é marcada por pontes, túneis, cachoeiras e trechos de Mata Atlântica. O passeio inclui paradas nas estações de Domingos Martins e Marechal Floriano. A saída de Viana (região metropolitana de Vitória) acontece aos sábados, domingos e feriados, às 10h30, e retorna à estação às 17h, sendo operado pela Serra Verde Express.

Trem do Pantanal – Mato Grosso do Sul

Parte de Campo Grande, passa por Aquidauana e segue rumo à Miranda. No caminho, os turistas conseguem vislumbrar a Serra do Maracaju, aldeias indígenas em Aquidauana, além de contemplarem rios e cachoeiras. Operado pela Serra Verde Express.

Trem da Serra do Mar Paranaense – Paraná

Trem indo de Curitiba a Paranaguá, passando sobre o viaduto São João. Foto: ViniRoger.

Trem indo de Curitiba a Paranaguá, passando sobre o viaduto São João. Foto: ViniRoger.

O trem viaja por 110 km em uma ferrovia do século XIX, atravessando uma das áreas mais preservadas de Mata Atlântica no Brasil. Marcado por pontes, túneis e belas paisagens, o passeio começa diariamente em Curitiba e parte rumo a Morretes – aos domingos, até Paranaguá. Contando com as paradas e a volta, o passeio dura um dia inteiro. É operado pela Serra Verde Express – veja mais no post Ferrovia Paranaguá-Curitiba, que também realiza o trajeto entre Ponta Grossa e Cascavel/Foz do Iguaçu.

Estrada de Ferro Santa Catarina

O passeio se dá no trecho reimplantado do antigo leito da extinta EFSC, construída pelos alemães e que funcionou de 1909 a 1971. O trajeto conta com um túnel de 70 metros de extensão, uma ponte em arco romântico, obras de arte, e belezas naturais da região, como a mata atlântica, paredões de pedra e as corredeiras do Rio Itajaí Açu. No trecho final, adentra-se na Usina Hidrelétrica de Salto Pilão. O trem é tracionado por uma autêntica locomotiva à vapor de 1920, fabricada nos EUA. Maiores informações podem ser obtidas no site da ABPF.

Trem da Serra do Mar – Santa Catarina

Num percurso de 40 km partindo de Rio Negrinho, a uma altitude de 795 metros e descendo até Rio Natal, no município de São Bento do Sul, a 355 metros ao nível do mar, onde robustas locomotivas à vapor de até 100 toneladas, da década de 40, vencem a subida da serra e geram belas observações da Mata Atlântica. Maiores informações podem ser obtidas no site da ABPF.

Trem das Termas – Santa Catarina/Rio Grande do Sul

Uma maria-fumaça de 1920 com seis vagões realiza passeios aos sábados entre os municípios de Piratuba (Santa Catarina) e Marcelino Ramos (Rio Grande do Sul). Durante o trajeto, os turistas podem fazer um city tour em Marcelino Ramos, visitar o Balneário de Águas Termais e o Santuário Nossa Senhora da Salette. Com lotação de 50 passageiros e 25 km de extensão, segue pelo interior de Piratuba, passando pelas localidades de Auto Maratá, Distrito de Uruguai, Volta Grande e antiga vila de ferroviários, sempre acompanhando a margem esquerda do Rio do Peixe. No encontro desse rio com o Rio Uruguai, o passageiro passa sobre uma grande ponte, importada da Bélgica com 455 metros de extensão. Maiores informações podem ser obtidas no site da ABPF.

Trem do Vinho – Rio Grande do Sul

Com duas horas de duração, o passeio começa na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, passando pelas cidades de Garibaldi e Carlos Barbosa em um trem a vapor. O ramal de Bento Gonçalves serviu para o tráfego de trens regulares até meados da década de 1970, e por volta de 1978, um trem turístico foi inaugurado pela RFFSA. Seu persurso iniciava em Carlos Barbosa e terminava em Jaboticaba. Antes do embarque, os turistas participam de uma degustação de vinhos. Durante as paradas, é possível apreciar shows de música italiana e danças folclóricas gaúchas. Veja mais no site da empresa Giordani Turismo.

Trem do Forró – Pernambuco

A atração é composta por uma locomotiva a diesel e dez vagões com capacidade para comportar até mil pessoas. Opera apenas durante o período de festas juninas, sendo que, em cada vagão, o turista pode encontrar um trio de forró pé-de-serra, além do serviço de bar vendendo bebidas e petiscos. Com duração de 5 horas, o passeio começa no cais de Santa Rita, no Recife, e vai até Cabo de Santo Agostinho, onde os passageiros são recepcionados por uma grande festa, com mais shows de forró, banda de pífanos e feiras de artesanatos e comidas típicas. Mais informações no site da operadora Serrambi Turismo. Existe um outro trem do forró em Campina Grande.

Estrada de Ferro Carajás – Maranhão/Pará

Em funcionamento desde 1986, o trem parte da Estação Ferroviária do Anjo da Guarda (em São Luís, Maranhão), com destino a Parauapebas (sudeste do Pará), às segundas, quintas-feiras e sábados, às 8h – às terças, sextas-feiras e domingos, realiza o percurso de volta. Passa por 25 localidades, entre povoados e municípios. Os passageiros contam com carro lanchonete, ar-condicionado, televisão, fraldário, ambulatório e vagão para portadores de deficiência. O serviço tem passagens até 50% mais baratas do que o transporte rodoviário, e no período de chuvas, quando as estradas ficam em péssimas condições, é o único meio de transporte terrestre na região. Transporta cerca de 1300 passageiros por dia. Mais detalhes no site da Vale.

Transporte urbano sobre trilhos

O desenvolvimento de muitas cidades brasileiras estão atreladas a antigas estações de trem. Muitas delas abandonadas ou foram demolidas, mas outras foram restauradas e convertidas em museus ou prédios administrativos. As ferrovias foram desativadas, convertidas como trens de subúrbio (como na CPTM, em São Paulo, e na Supervia, no Rio de Janeiro) ou seguem como transportadoras de carga e administradas por concessionárias, como a Vale, a ALL e a MRS. Um passeio mais atento nas ferrovias e no centro de algumas cidades já pode revelar construções curiosas que revelam um pouco da nossa história.

Com o crescimento das cidades, muitas começaram a investir em transporte coletivo urbano. Inicialmente, vieram os bondes, tracionados por cavalos e depois movidos a eletricidade. Devido à necessidade de trilhos e a crescente pressão do mercado automobilístico, foram substituídos por ônibus movidos a diesel ou trólebus, no qual a eletricidade é provida por cabos aéreos – veja como fazer um passeio de trólebus em São Paulo.

Alguns sistemas de bonde ainda são utilizados em menor escala ou para fins turísticos, como no Rio de Janeiro, Santos, Vila de Itatinga (Bertioga/SP) e Campos do jordão (até 1956 eram pertencentes à Estrada de Ferro Itapema-Guarujá, ou Tramway do Guarujá, que ligava a chegada das balsas de Santos ao “Grand Hotel La Plage”, atual Shopping La Plage). Transporte de massa já é executado por trens de subúrbio, metrôs, VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e monotrilhos (presentes em Porto Alegre, conhecido como aeromóvel, São Paulo e Poços de Caldas, desativado).

Monotrilho da linha 15 - prata, administrado pelo Metrô de São Paulo, chegando à estação Oratório. Foto: ViniRoger.

Monotrilho da linha 15 – prata, administrado pelo Metrô de São Paulo, chegando à estação Oratório. Foto: ViniRoger.

Fontes: Disney Babble, site Estações Ferroviárias, regionais da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), Vale, agências de turismo e Dez viagens de trem que valem a pena no Brasil e no exterior.

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