Monte Verde

Esse distrito do município de Camanducaia (sul de Minas Gerais) fica na região da Serra da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo e Minas. Localizadas a 164 km de São Paulo pela Rodovia Fernão Dias, é uma alternativa às badaladas cidades de Campos do Jordão e região (ou até mesmo Gramado e Serras Gaúchas) quando o assunto é turismo em altitude. No caso brasileiro, esse turismo envolve contato com a natureza, belas vistas, clima agradável, boa comida e comércio em estabelecimentos em estilo arquitetônico diferenciado.

Mirante da trilha da Pedra Redonda. Foto: ViniRoger.

Mirante da trilha da Pedra Redonda. Foto: ViniRoger.

Precauções

Ser uma cidade mais isolada tem suas vantagens e desvantagens. Por exemplo, agência de banco só tem o Bradesco – Banco do Brasil fica em uma agência dos Correios, que não abre aos sábados, e Itaú só tem um caixa eletrônico bem escondido no “Inverness Mall”. Além disso, muito lugares não aceitam cartão, então leve dinheiro vivo, nem que seja necessário uma parada no banco em Camanducaia, que é caminho para Monte Verde.

Land Rover usada nos passeios. Foto: ViniRoger.

Land Rover usada nos passeios. Foto: ViniRoger.

A estrada que dá acesso ao distrito é cheia de curvas com muitas subidas e descidas. Fora da região central, a maioria das ruas é de terra. Quando chove, alguns lugares somente ficam acessíveis com carros 4×4 – então, cuidado ao escolher pousadas que fiquem fora do centro. Cuidado também com o fornecimento de energia, onde é comum ocorrem quedas por até algumas horas – leve lanterna.

Exemplo de Chalé com lareira (Pousada Recanto da Natureza). Foto: ViniRoger.

Exemplo de Chalé com lareira (Pousada Recanto da Natureza). Foto: ViniRoger.

Muitas pousadas são em formato de chalés individuais com lareira. Além de romântico, isso pode transformar o passeio em uma experiência única. Para uma lareira pequena, você precisará inicialmente de 4 ou 5 pedaços de madeira pequenos e um pedaço de álcool gel (ou líquido mesmo). Algumas pousadas dão o primeiro saco/caixa de lenha, que dura uma noite toda se bem utilizado. Coloque-os bem próximos no centro e coloque fogo, alimentando com novos pedaços conforme a chama for diminuindo. Mantenha alguma janela aberta para o ar circular e não acumular monóxido de carbono no quarto, o que pode causar asfixia.

Comércio

A rua principal da cidade é a avenida Monte Verde. Nela existe uma porção de lojas e galerias de roupas de frio, queijos, doces, artesanato, restaurantes, etc. No entanto, algumas ruas transversais e o bairro mais ao norte, mais residencial, tem algumas lojas mais em conta, com preços até 50% mais baratos.

Avenida Monte Verde. Foto: ViniRoger.

Avenida Monte Verde. Foto: ViniRoger.

A gastronomia local é uma das principais atrações. O chocolate quente é uma boa pedida, bem mais grosso que os servidos por aí – fora das regiões de serra, geralmente o chocolate quente é um leite com achocolatado. Outras atrações gastronômicas típicas são o apfelstrudel (sobremesa tradicional austríaca feita de massa folhada e recheio de maçã), a prímula (duas bolachinhas unidas por uma camada de chocolate e separadas por doce de leite), mordisco (a mesma bolachinha com bastante doce de leite e cobertos de chocolate), sopa de morango com sorvete e calda de chocolate, fondue (de carnes, queijo ou chocolate), geleias, trutas, diferentes tipos de queijos temperados, além da tradicional comida mineira.

Lago com sapos na Avenida Monte Verde decorada para o natal. Foto: ViniRoger.

Lago com sapos na Avenida Monte Verde decorada para o natal. Foto: ViniRoger.

Ainda falando sobre o comércio, no final do Shopping Celeiro, existe um ponto para observação de esquilos. Nessa galeria, existe uma loja (a Mont’art Artesanato) que além de vender miniaturas e vários tipos de artesanato, o dono mantém um registro diário dos valores de temperatura medidos por seus vários termômetros espalhados pela cidade – cada parte tem pequenas diferenças devido ao relevo. Uma das atrações da região é o frio, que chega facilmente a 13 graus a noite mesmo no verão – o recorde da minima absoluta e de -5 °C.

Esquilo alimentado na mão - não dê alimentos industrializados. Foto: ViniRoger.

Esquilo alimentado na mão – não dê alimentos industrializados. Foto: ViniRoger.

Ecoturismo

Monte Verde faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias, que possui mais de 180 mil hectares em oito municípios no sul de Minas. Como principais objetivos, estão a proteção de diversas nascentes, espécies endêmicas da Mata Atlântica e assegurar a sustentabilidade dos recursos naturais.

Vista da Pedra Redonda. Foto: ViniRoger.

Vista da Pedra Redonda. Foto: ViniRoger.

Na avenida Monte Verde, os turistas são abordados por pessoas em quiosques que vendem passeios de quadriciclo e em carros 4×4 (geralmente uma Land Rover). Esse último é uma boa dica para conhecer um pouco as regiões mais distantes do município, acessíveis por estrada de terra íngremes e mal conservadas. O passeio envolve buscar os turistas nas respectivas pousadas, subir até o início das trilhas, fazer a trilha (geralmente a da Pedra Redonda), passar em algumas pousadas curiosas, um pesqueiro de trutas (em um deles, é possível admirar os esquilos que vivem por lá bem de perto), uma galeria de arte em cerâmica e vidro, uma fábrica de chocolate e retorno à pousada.

Trechos da trilha para a pedra redonda. Fotos: ViniRoger.

Trechos da trilha para a pedra redonda. Fotos: ViniRoger.

Para fazer as trilhas, é recomendável usar tênis e calça confortável, principalmente se choveu no dia anterior. As mais conhecidas são:

  • Pinheiro velho: com um dos acessos pela avenida Monte Verde, um pouco depois da rotatória que fica próxima ao portal da cidade. Com poucas centenas de metros, dá acesso a um grande pinheiro-do-paraná, uma fonte e à avenida do aeroporto. Logo no início está uma ponte de madeira sobre um riacho, que na verdade é um tronco de árvore cortado ao meio.
  • Pedra Redonda: uma das trilhas mais populares de Monte Verde, leva à pedra a uma altitude de 1950 metros com vista panorâmica da cidade e outras pedras. A caminhada dura 40 minutos em 880 metros (ida). No início do último trecho, existe uma parada com mirante para o vale e começa a parte mais íngreme, com algumas escadas de madeira. No alto, existe uma pintura no chão indicando a fronteira entre Minas Gerais e São Paulo.
  • Pedra Partida: um pouco mais longe que a trilha da pedra redonda e com acesso pelo mesmo lugar, destaca-se por permitir nos dias mais abertos a visualização da Pedra do baú, localizada em São Bento do Sapucaí.
  • Chapéu do Bispo: uma das mais fáceis da região, já que a maior parte do trajeto é plano. A trilha chega até a base da Pedra do Chapéu do Bispo, mas para subir no cume há duas formas, e ambas não são muito fáceis.
  • Platô: no sentido oposto da trilha que vai para a pedra partida, esse passeio é um pouco mais longo do que o da pedra redonda, mas é igualmente fácil, uma vez que não têm partes muito íngremes. Fica também no meio da trilha de quem vai para o pico do selado, ponto mais alto de Monte Verde.
  • Pico do Selado: trilha de grande distância, mas com uma linda vista. O cume é restrito a escaladores e estes têm o privilégio de deixar sua mensagem no livro do cume, que fica dentro de um tupperware.

Dentre os hotéis curiosos, estão um em formato de castelo medieval e outro que possui uma suíte de luxo construída em um avião adaptado. Também possui um observatório anexo construído em forma de torre de controle.

Suíte em avião adaptado do Hotel Viviê. Foto: ViniRoger.

Suíte em avião adaptado do Hotel Viviê. Foto: ViniRoger.

O aeroporto, com pista ascendente/descendente de terra, foi fechado pela ANAC até ser asfaltado. Na verdade, era um aeródromo, já que não possuía facilidade para embarque e desembarque de passageiros nem centro de controle. De lá, saíam voos panorâmicos pela região, além de existir até hoje um belo mirante de parte da cidade. Até então, era o mais alto do Brasil, localizado a 1560 metro de altitude.

Aeroporto de Monte Verde. Foto: ViniRoger.

Aeroporto de Monte Verde. Foto: ViniRoger.

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