Modernismo em Barcelona

Na primeira metade do século XX, surgiram vários movimentos culturais nos campos da literatura, arquitetura, design, pintura, escultura, teatro e música. O modernismo pode ser descrito genericamente como uma rejeição da tradição e uma tendência a encarar problemas sob uma nova perspectiva baseada em ideias e técnicas atuais. A Espanha teve seus grandes nomes desse período, dentre eles:

  • Pablo Ruiz Picasso (Málaga, 1881 — Mougins, 1973): o Museu Picasso conta com mais de 3.800 obras; encontra-se no bairro de El Born, na Cidade Velha, em uma rua com vários palácios medievais com belos pátios góticos.
  • Salvador Dalí i Domènech (Figueres, 1904 — Figueres, 1989): possui um museu na cidade onde nasceu e morreu (140 km de Barcelona). Desenhado pelo próprio Dalí e construído ainda quando o artista estava vivo, reúne sua maior coleção de obras. Possui corredores estreitos e salas surpreendentes, tornando a visita em si algo especial.
  • Joan Miró i Ferrà (Barcelona, 1893 — Palma de Maiorca, 1983): fez o painel para o terminal 2 do aeroporto de Barcelona, a escultura com 21 metros de altura chamada “Dona i Ocell” (“mulher e pássaro” em catalão) instalada no Parc de Joan Miró e possui várias obras na Fundació Miró (no Parc de Montjuïc)
  • Antoni Gaudí i Cornet (Reus ou Riudoms, 1852 — Barcelona, 1926): grande parte de sua obra é marcada pelas suas grandes paixões (arquitetura, natureza e religião), incorporando nelas uma série de ofícios que dominava: cerâmica, vitral, ferro forjado e marcenaria. Introduziu novas técnicas no tratamento de materiais, como o trencadís, realizado com base em fragmentos cerâmicos esmaltados.

As mais conhecidas atrações turísticas de Barcelona são obras de Gaudí: Sagrada Família, Parque Güell, La Pedrera (ou Casa Milá) e Casa Batlló. Muitas obras arquitetônicas estão no Passeig de Gràcia: uma grande avenida que começa na Plaça de Catalunya e termina no bairro de Gràcia (antes uma cidade independente).

Sagrada Família

Começou a ser construída em 1882 e ainda está inacabada (estima-se a conclusão para 2030). O interior possui vários vitrais e grandes colunas que se assemelham a troncos de árvores.

Interior da Sagrada Família. Foto: ViniRoger

Interior da Sagrada Família. Foto: ViniRoger

Em 1892, Gaudí começou a trabalhar na fachada do Naixement (Natividade), com formas orgânicas pouco comuns nas fachadas de outros templos, como folhas, animais e frutas. Em 1911, elaborou o projeto da fachada da Passió (Paixão). A fachada de La Glória ainda está sendo construída as portas da fachada já estão no lugar, com frases do Pai Nosso em 50 idiomas diferentes.

Fachada da Natividade (esquerda) e da Paixão. Fotos: ViniRoger

Fachada da Natividade (esquerda) e da Paixão. Fotos: ViniRoger

A imponente igreja tem oito torres existentes de um total de 18 previstas no projeto original. Elas simbolizam os 12 apóstolos, os quatro evangelistas (Mateus, Lucas, Marcos e João), a mãe de Deus e Jesus (a torre mais alta, que terá 172 metros). A subida nas torres da Sagrada Família é feita de elevador e a descida por uma escada em forma de caracol, cuja altura é equivalente a um prédio de 20 andares. As torres abertas para visitação são dois pares: um em cada fachada, ligadas entre si por uma ponte a céu aberto.

Park Güell

Encomendado pelo industrialista Conde Eusebi Güell no início do século 20, para quem Gaudí já havia construído o Palau Güell. A ideia era criar uma vila de 40 casas em plena natureza no atual bairro de Gràcia. Somente duas casas foram construídas, uma das quais foi ocupada por Gaudí (hoje é a Casa Museu Gaudí), e foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1984, juntamente com a casa Milà.

Entrada do Parc Guell e salamandra (fica no centro da entrada, atras de uma coluna, não dá pra ver por fora). Foto: VIniRoger

Entrada do Parc Guell e salamandra (fica no centro da entrada, atras de uma coluna, não dá pra ver por fora). Foto: VIniRoger

A entrada principal possui portão que se abre entre um muro de tijolos decorado com mosaicos e pavilhões ao redor construídos para abrigar a portaria, administração e setor de manutenção da cidade-jardim: o da esquerda seria a casa das crianças, Hansel e Gretel, hoje ocupado por uma livraria e lojinha de lembranças; o da direita, coroada por uma decoração que lembra um cogumelo venenoso, seria a casa da bruxa, hoje sendo a sede do MUHBA Park Güell.

Laje do Parc Guell e colunas tortas de pedras. Fotos: ViniRoger

Laje do Parc Guell e colunas tortas de pedras. Fotos: ViniRoger

Possui mais de três quilômetros de trilhas, com pontes e viadutos suportados por colunas torcidas formadas de pedra. Entre as áreas comuns construídas, destacam-se os dois pavilhões na entrada do parque, a escadaria com sua emblemática salamandra coberta com trencadís e a sala hipostila, que sustenta a praça central (emoldurada por seu serpenteante banco). Nessa sala, que teria um mercado, erguem-se 86 colunas que sustentam um teto ondulante de mosaico. O projeto de capela no ponto mais alto do parque deu lugar ao Turó de les Tres Creus (calvário das três cruzes).

Compre o ingresso com antecedência ou prepare-se para esperar umas duas horas para abrir uma nova “onda” de turistas à parte interna (a mais interessante). A parte externa é aberta e com visitação gratuita.

La Pedrera (Casa Milà)

Em 1906, um pequeno edifício de 3 andares foi demolido e deu lugar a La Pedrera sob encomenda de Pere Milà e inaugurado em 1910. Sua fachada é coberta por uma cortina de pedra calcária com formas onduladas que se assemelham a uma rocha açoitada pelas ondas do mar. Seus 33 balcões são decorados em ferro forjado com formas que se assemelham a algas marinhas.

Fachada da Casa Milà. Foto: ViniRoger

Fachada da Casa Milà. Foto: ViniRoger

O andar térreo da Casa Milà tem dois acessos com halls de entrada separados e conectados com dois pátios. As portas de entrada combinam ferro forjado e vidro, com representações em formas orgânicas. No topo, possui um terraço com chaminés estilizadas que parecem guerreiros, com a cabeça adornada por capacetes. Muitos dos apartamentos são residências particulares, mas um deles abriga um museu aberto ao público.

Casa Batlló

Josep Batlló, um rico empresário da área têxtil, comprou o prédio em 1903, construído em 1877. Gaudí foi contratado para remodelá-lo, incluindo suas características formas orgânicas, paredes onduladas, vitrais e trencadís. Duas claraboias com a escada e elevador ao centro permitem iluminar o interior do edifício. Pastilhas esmaltadas possuem tons de azul que clareiam conforme se afastam da fonte de luz natural.

Interior da Casa Batlló: fundos, vão ao lado da escada e torre da fachada. Fotos: ViniRoger

Interior da Casa Batlló: fundos, vão ao lado da escada e torre da fachada. Fotos: ViniRoger

No alto do prédio, a torre coroada com uma cruz de quatro braços lembra a espada de Sant Jordi atravessando o corpo do dragão, uma referência a São Jorge, padroeiro da Catalunha. A parte superior do telhado assemelha-se ao dorso de um dragão e suas escamas, junto de quatro grupos de sinuosas chaminés situadas no terraço da casa.

Interior da Casa Batlló: Salão Central com lustre que parecer torcer um teto fluido. Fotos: ViniRoger

Interior da Casa Batlló: Salão Central com lustre que parecer torcer um teto fluido. Fotos: ViniRoger

O grande balcão do primeiro andar, feito com pedra arenosa, possibilita uma visão interna do salão. Os outros andares, com balcões decorados com ferro fundido em forma de máscaras, retribuem os inúmeros olhares que são lançados pelos espectadores.

Fachada da Casa Amattler (esq.) e Casa Batlló. Foto: ViniRoger

Fachada da Casa Amattler (esq.) e Casa Batlló. Foto: ViniRoger

No mesmo quarteirão do Passeig de Gràcia, estão outros dois célebres prédios modernistas: a Casa Lléo Morera, do arquiteto Lluis Domenech i Montanerv de 1905, e a Casa Amattler, de Jose Puig i Cadafalch.

Palau de la Musica Catalana. Foto: ViniRoger

Palau de la Musica Catalana. Foto: ViniRoger

Outra obra impressionante de Lluis Domenech i Montanerv é o Palau de la Música Catalana, inaugurado em 1908 nas estreitas ruas da Cidade Velha. Possui muitos mosaicos e vitrais, que permitem a entrada de luz natural durante o dia. A incrível claraboia (que pesa uma tonelada) representa o sol e também uma gota se desprendendo do teto. No palco, um conjunto de esculturas com motivos musicais representam os espíritos da música. Possui visitas guiadas durante o dia e apresentações à noite, com um café na lateral.

Para os que viram as fotos da Sagrada Família, Casa Batlló… e parece que já viram isso antes, saibam que as obras de Gaudí serviram de inspiração para criar o seriado Castelo Rá Tim Bum, na TV Cultura. Veja a abertura e compare as semelhanças:

Interessante também comparar a abertura com o vídeo da perspectiva futura das obras da Sagrada Família até sua conclusão:

Veja mais sobre Barcelona clicando no link.

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