Mistérios explicáveis no céu

O título desse post é uma adaptação do título de um vídeo com mais de um milhão de visualizações (que já tem até continuação): 10 mistérios inexplicáveis no céu que foram filmados por câmeras (sensacionalista, com pleonasmo e tudo). Muitos dos “mistérios inexplicáveis” apresentados já foram investigados e explicados, o que será apresentado nesse post.

UFOs invadindo a Casa Branca? Não, apenas o reflexo das luzes em superfície nas lentes da câmera.

O ser humano é curioso por natureza, e fenômenos que são apresentados como “inexplicáveis” fazem nossa mente buscar uma solução para o mistério. Explicar como alguma coisa acontece envolve procedimentos para garantir que o fenômeno tenha uma explicação racional, condizente com as leis naturais; caso contrário, vira uma “conversa de maluco”. Uma discussão maior sobre o assunto pode ser vista no post combatendo mitos (disponível no link), mas algo que vale a pena pontuar aqui é a navalha de occam:

Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor

Ou seja, é mais simples usar os conhecimentos de óptica que a humanidade construiu ao longo de séculos de desenvolvimento para explicar uma miragem em vez de reinventar todo um complexo de fenômenos e situações para justificar uma ocorrência “sobrenatural” ou “conspiracionista”. Nos meandros dessas explicações, muitas delas podem ser absurdamente improváveis e exigem muitas premissas que também são muito difíceis de acontecer, gerando um fenômeno nada provável, ou mesmo premissas inverídicas, invalidando o todo.

Anel negro

É um enorme círculo escuro que paira no céu, mas acaba se dissipando após um tempo. Isso é um vórtice, formado quando um fluido de roda em torno de um ponto central. Banheiras, pias e outros escoamentos de água possuem formas visíveis de vórtices, enquanto que na atmosfera somente é possível vê-lo quando alguma poeira ou fumaça se junta a ele.

Veja só este anel produzido pelo Monte Etna:

Você também pode fazer um:

Fonte: E-frasas – Anel negro aparece no céu de Leamington Spa! O que será?

Nuvens em anéis

Um enorme círculo no meio das nuvens aparece no céu acompanhado de um indecifrável som (atribuído a trombetas). Ao se estudar a origem do vídeo, é possível notar a autoria do produtor de vídeos virais Ronen Barany, especialista em efeitos especiais. Um vídeo de aviões fazendo jogo da velha no céu, do mesmo produtor, pode ser visto clicando no link.

Outro vídeo, em outro lugar, com sons indecifráveis teria sido feito em uma tempestade, mas que somente o áudio dos sons de baleias foi mixado com o áudio original.

Fontes: Estranho fenômeno em Jerusalém! Trombetas do Apocalipse? e Sons estranhos e assustadores vindos de tempestade na Finlândia!

Céu sangrento

Nuvens tingidas de vermelho aparecem no céu. Durante o pôr do sol, a luz sofre um espalhamento que deixa o céu alaranjado. Conforme a posição do sol no céu e as partículas sólidas suspensas no ar, pode-se obter diferentes cores – veja mais explicações no post Os mais belos fenômenos atmosféricos.

As nuvens somente espalham a luz que incide sobre suas gotículas, ou seja, também ganham essas tonalidades. Nuvens mais baixas e na direção oeste podem refletir uma coloração diferente de outra parte do céu.

Nuvens estranhas

É muito comum aparecerem vídeos e fotos de nuvens com formatos estranhos. Isso se deve à pareidolia: fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. O post do link fala bastante sobre o tema, mas basicamente o ser humano tende a buscar padrões em tudo, ou seja, se uma nuvem ganhar um formato de disco, nosso cérebro já faz a conexão com uma possível nave espacial, que popularmente é representada como um disco. Veja nesse link algumas fotos de nuvens que parecem disco voador.

O vídeo acima mostra uma nuvem flutuando de maneira estranha e emitindo luz. Nuvens de fumaça (expelidas por indústrias, por exemplo) que não se dissipam podem flutuar ao sabor do vento próximo da superfície. Dependendo das partículas de sua composição, podem refletir a luz do sol de maneira espelhada em alguns pontos (como um grão de areia mais brilhante na praia), dando a impressão de que está emitindo luz.

Chuva em um único ponto

Uma forte chuva com a água caindo em um único ponto. Na verdade, a água está saindo do chão devido a um duto de água se rompeu. Veja o vídeo e mais sobre o caso no post “Chuva cai em um único ponto em Gana! Milagre?” do e-farsas.

Cidade flutuante

Uma cidade que se encontra no horizonte adquire uma aparência alargada e elevada, similar a um “castelo de contos de fadas”. Daí que vem o nome do efeito: Fata Morgana, em referência à fictícia feiticeira (Fada Morgana) meia-irmã do Rei Artur que, segundo a lenda, era uma fada que conseguia mudar de aparência.

Esse fenômeno trata-se de uma miragem que se deve a uma inversão térmica. Com tempo calmo, a separação regular entre o ar quente e o ar frio (mais denso) perto da superfície terrestre pode atuar como uma lente refractante, produzindo uma imagem invertida, sobre a qual a imagem distante parece flutuar. Isso pode acontecer com carros vindo do horizonte em uma estrada num dia quente ou navios e ilhas num oceano em dia sem ventos.

Esse vídeo do e-farsas explica bem o fenômeno e ainda fala de outro vídeo, em que aparecem luzes saindo e entrando de uma nuvem. Nesse caso, foi apenas o reflexo das luzes dos carros nas lentes internas da câmera. Outro exemplo está na foto inicial do post, onde suspostos OVNIs estão sobre a Casa Branca, nos EUA.

Luzes no céu

Pontos luminosos que vagam pelo céu podem ser os raios bola, que são descargas elétricas luminosas em forma circular – veja mais no post sobre raios e trovões. Existem registros de raios bola acontecendo próximos a descargas elétricas “comuns”, o que mostra que a indução gerada pelo campo eletromagnético do raio principal induza a formação de relâmpagos esféricos.

Em muitos casos, pontos de luz no céu podem ser planetas, cometas, aviões e helicópteros voando distantes e registrados com baixa qualidade (resolução baixa e câmera tremendo). Balões meteorológicos transportando radiossondas (para estudar o perfil vertical da atmosfera) também são vistos e apontados como OVNIs. Na verdade, como OVNI significa “Objeto Voador Não Identificado”, se você não sabe o que é, naquele momento ele não deixa de ser um OVNI.

Dentre as causas mais comuns de clarões no céu (descartando-se períodos de guerra e testes atômicos), estão a queima de meteoritos quando entram em alta velocidade na atmosfera e explosões em terra, como as de subestações transformadoras de energia. Quanto maior seu tamanho, mais pedaços conseguem atingir a superfície.

Pilar brilhante

Uma coluna de luz indo para o céu. As câmeras digitais tem obturador que geram uma varredura com uma janela vertical. Ao encontrar uma claridade muito forte (um raio, por exemplo), toda a janela fica com uma luminosidade maior registrada na imagem.

Um raio de luz sai de uma nuvem orientado para cima. Os raios não acontecem somente da nuvem para o chão, mas também do chão para a nuvem, dentro da nuvem e da nuvem para o céu. Tudo depende da configuração dos centros de cargas elétricas (positivas e negativas) para definir a direção de um raio.

Fantasmas

Uma luz azulada que pode ser avistada em pântanos, brejos, cemitérios e lugares onde ocorre a Esse é o fogo-fátuo, gerado pela combustão espontânea entre o oxigênio do ar e o gás metano gerado devido à decomposição de seres vivos. Veja mais no post sobre fogo e crença.

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