Hipódromo da Cidade Jardim

O termo hipódromo designa uma área a descoberto, dotado de arena, em que se realizam exercícios de equitação, corrida de cavalos ou de corrida de bigas. O Jockey Club de São Paulo é a entidade que administra e detém a propriedade do Hipódromo de Cidade Jardim. Fundado em 1875 como “Club de Corridas Paulistano”, teve como sua primeira praça de corridas o Hipódromo da Mooca, na rua Bresser. Somente em 1941 que foi inaugurado o atual hipódromo da Cidade Jardim.

Vista das pistas de corrida na altura da linha de chegada a partir da tribuna de honra. Foto: ViniRoger

Vista das pistas de corrida na altura da linha de chegada a partir da tribuna de honra. Foto: ViniRoger

Antes de existirem hipódromos, as disputas aconteciam durante feiras pecuárias nas ruas da cidade, geralmente em raias localizadas no atual Parque São Jorge ou na praça Princesa Isabel. A Corte Imperial tinha autorizado o funcionamento do então chamado Club de Corridas Paulistano, e decidiu construir o hipódromo no pé de um sopé no bairro da Mooca – as cocheiras ficavam na antiga rua Itajaí. Posteriormente, foram organizadas uma linha especial de bondes movidos por tração animal que ligava o centro da capital ao bairro e até mesmo uma estação de trem. Devido ao rápido crescimento da população, os 2800 lugares do hipódromo da Mooca não comportavam mais o grande número dos frequentadores.

A sede social do clube sempre permaneceu nas proximidades de seu local de origem, à rua do Rosário, no centro de São Paulo: já esteve rua São Bento, rua 15 de Novembro, Praça Antônio Prado e rua Boa Vista. Em 2013, esse último prédio foi colocado à venda e sua sede social mudou-se para um antigo ambulatório no hipódromo. O Jockey ocupava apenas dois dos 16 andares do prédio. Os demais eram alugados para escritórios de advocacia, bancos e financeiras.

O Jockey Club também possui o Centro de Treinamento de Campinas, onde funcionou o Hipódromo Boa Vista, e a Chácara do Jockey, muito usada para shows. No entanto, o clube está em processo de venda desses terrenos para incorporadoras imobiliárias e para a prefeitura de São Paulo, respectivamente. O terreno da Chácara do Jockey abrigará um novo parque municipal. O espaço do Hipódromo de Cidade Jardim, localizado à avenida Lineu de Paula Machado (nome do fundador dos Haras São José e Expedictus), também abriga eventos como festivais de música e o “Casa Cor” – exposição de decoração, arquitetura e ambientação.

Entrada principal do Hipódromo, pela Av. Lineu de Paula Machado. Foto: ViniRoger

Entrada principal do Hipódromo, pela Av. Lineu de Paula Machado. Foto: ViniRoger

Em 2010, o conjunto arquitetônico do Jockey Club foi tombado como patrimônio histórico: portarias, arquibancadas, fachadas, pistas, armazéns, prédios, Ferraria, Chaminé do Forno Crematório e até a caixa d’água. Essa medida ajuda a preservar a história da região. A falta de um acesso direto da Marginal Direita do rio Pinheiros à ponte da Eusébio Matoso faz com que o tráfego nas ruas Bento Frias e Pero Leão seja muito intenso, desvalorizando os imóveis e forçando a demolição de casas dos anos 1950/60 em 2006 para a ampliação da loja Tok Stok e a construção de um prédio de escritórios. Sobraram poucas casas e um prédio antigo, que fica em frente às cocheiras e já foi o Colégio Equipe e depois uma unidade do Pentágono. Esse prédio ficou muitos anos abandonado até ser ocupado pelo Jockey Club como uma extensão do hipódromo paulistano para promoção de eventos (passando em frente em julho de 2015 ainda estava abandonado).

Corredor suspenso da entrada principal (acesso à tribuna de honra, salões nobres e escada para o piso inferior, onde são realizadas as apostas) e painéis em alto relevo de um dos dois salões nobre. Foto: ViniRoger

Corredor suspenso da entrada principal (acesso à tribuna de honra, salões nobres e escada para o piso inferior, onde são realizadas as apostas) e painéis em alto relevo de um dos dois salões nobre. Foto: ViniRoger

As pistas de corridas são de areia ou grama, em volta fechada (com curvas e retas) e um trecho em traçado reto (cancha reta). As pistas em circuito fechado tem o perímetro ovalado, com uma delas tendendo a um triângulo com atenuação dos ângulos, com seu percurso medindo entre 1500 e 2000 metros. O perímetro da pista envolve uma área central gramada denominada bacia.

Além das pistas de corrida no centro, o hipódromo possui quatro pavilhões: tribuna de honra (com cadeiras individuais e camarotes), tribunas especiais nº 1 e nº 2 e pavilhão paddock (para os jóqueis e profissionais do turfe, que fica entre o restaurante ao lado do estacionamento e a tribuna de honra). Cada um (exceto o paddock) possui lotação para mais de 1300 pessoas (segundo placa do local). Existem outros prédios históricos, com uso administrativo, social e para abrigo e cuidados dos cavalos. Veja uma vista área da região.

Os haras são estabelecimentos que objetivam criar, reproduzir e selecionar raças de cavalos. A vila hípica do hipódromo é o local onde o potro, depois de adestrado, recebe o treinamento final e adaptação às exigências das competições. É abrigado em uma cocheira sob a responsabilidade de um treinador, que detém a infra-estrutura física e de pessoal de apoio (ferreiros, escovadores, veterinários, tosadores, fornecedores de ração) para o preparo do animal. Na preparação final para as competições, é montado por um jóquei, que o exercita diariamente.

Cavalos em cocheiras, em uma das várias estrebarias (ou estábulos) do hipódromo. Foto: ViniRoger

Cavalos em cocheiras, em uma das várias estrebarias (ou estábulos) do hipódromo. Foto: ViniRoger

Hipismo é a arte de montar a cavalo que compreende todas as práticas desportivas que envolvam este animal – salto, adestramento, corridas, atrelagem (com uso de charrete), pólo, enduro (provas de longa distância, entre 80 e 160km), volteio (ginástica artística), etc. O termo cavaleiro está intimamente relacionado com a cavalaria da Idade Média, mas é utilizado atualmente para designar o militar pertencente à arma de cavalaria, e por extensão ao homem que anda a cavalo. Turfe é o nome do esporte britânico que promove e incentiva corridas de cavalos.

Para as competições, foram sendo selecionados cavalos com aptidão para corridas, dentre os que eram trazidos desde o norte da África (bérberes) e os árabes, comprados ou tomados em batalhas. Cruzados com os melhores cavalos europeus, surgiu o cavalo puro sangue inglês de corrida, que praticamente domina a atividade. O puro sangue inglês corre com idade entre dois e sete anos, pesa entre 380 a 550 quilos e carrega entre 50 a 60 quilos (peso do joquei e arreiamento), podendo atingir velocidades acima de 60 km/h. Os cavalos (machos) bem sucedidos nas pistas, após o encerramento de sua atividade como corredores, são levados para serem reprodutores (garanhões – quem lembrou do Rocky Balboa, o “Garanhão Italiano / The Italian Stallion”? :P).

Cada corrida é chamada páreo. Uma reunião turfística é composta por vários páreos, com intervalos entre eles, quando são efetuadas as apostas. Os páreos comuns selecionam as inscrições por idade e número de vitórias dos animais. Já os clássicos são as principais provas, com destaque para os Grandes Prêmios. Na largada tradicional, cada cavalo tem seu espaço em uma estrutura móvel chamada “Box” (ou “Starting Gate”), com uma porta atrás (entrada do animal) e uma na frente (aberta na hora da partida de modo simultâneo para todos os competidores).

Os cavalos podem correr montados por jóqueis (corrida a galope) ou atrelados a uma charrete (corridas de trote). Curiosidade: no bairro paulistano de Vila Guilherme, existe o Parque do Trote, onde foram construídas, desde 1937, cocheiras, arquibancada,bilheterias, pista para saltos, um salão para conferências e um picadeiro fechado desde 1937 para a prática do trote, mas que atualmente é só um parque mesmo. Nos circuitos fechados dos EUA e Brasil, é mais utilizado o sentido anti-horário (“american style”), o oposto do realizado na Inglaterra. As distâncias geralmente percorridas são: 1000 metros para os cavalos mais velozes (sprinters); 1600 para os animais chamados milheiros (pois 1609 metros vale uma milha); e 2400 (milha e meia) para competidores mais resistentes (fundistas).

“Vâmo fazê nossa apostinha…?”

Clayton Silva interpretando o “Louco” no programa “A Praça é Nossa”

Balcões onde são realizadas as apostas - um cartão é carregado em dinheiro e levado a alguma das máquinas, que parecem grandes máquinas de lavar, nas laterais do salão para efetuar as apostas. Foto: ViniRoger

Balcões onde são realizadas as apostas – um cartão é carregado em dinheiro e levado a alguma das máquinas, que parecem grandes máquinas de lavar, nas laterais do salão para efetuar as apostas. Foto: ViniRoger

Com apenas 2 reais, pode-se apostar em algum dos cavalos em páreos que ocorrem aos sábados, das 14h às 20h, e às segundas, das 18h às 23h. Existem várias possibilidades de apostas, sendo as mais tradicionais:

  • Vencedor (ou ponta): a aposta direta no cavalo vencedor.
  • Placê: ganha se o cavalo apostado chegar em primeiro ou segundo lugar.
  • Dupla: o apostador deve selecionar dois animais, sendo que um deles deve chegar em primeiro e o outro em segundo lugar, independente da ordem.
  • Exata (ou dupla-exata): deve-se acertar o primeiro e o segundo colocados na ordem correta de chegada.
  • Trifeta: deve-se acertar os três primeiros colocados na ordem correta.
  • Quadrifeta: deve-se acertar os quatro primeiros colocados na ordem correta.
  • Remate: muito utilizada no meio rural, em que é leiloado o direito de apostar em cada competidor.
  • Parada: o contrato verbal entre duas ou mais pessoas, cada uma escolhendo um ou mais competidores.

Veja mais no Plano de Apostas do Jockey Club e no link Como apostar em cavalos. Independentemente das apostas, cada páreo tem uma premiação em dinheiro ao proprietário do cavalo vencedor (e um troféu, no caso de Grandes Prêmios) e dos mais bem colocados. Além do proprietário, nos centros de corrida organizados, também recebe uma dotação em dinheiro o jóquei, criador e o treinador.

Arquibancada da tribuna de honra. Foto: ViniRoger

Arquibancada da tribuna de honra. Foto: ViniRoger

O Hipódromo possui amplo estacionamento (pago), mas as ruas do bairro residencial possuem muitas vagas. A entrada é gratuita. O local dispõe de restaurante e lanchonete (para todo o público visitante), quadras e piscina de borda infinita (de uso exclusivo aos sócios). Para crianças e adolescentes de até 15 anos, são organizados passeios também gratuitos em cavalos e pôneis nos fins de semana, das 13h às 18h. É proibido entrar de bermuda e camiseta regata. Para mais informações e confirmação de páreos, acesse o site do Jockey Club (abaixo).

Também digno de nota está o Clube Hípico de Santo Amaro. Fundado em 1935 onde era uma fazenda, hoje possui casarão, vila hípica, escola de equitação, percurso de cross country, pistas de areia, de grama e uma específica para adestramento, campo de pólo e um picadeiro coberto, além de grandes bosques com árvores típicas da Mata Atlântica. A entrada de não-sócios no clube é permitida apenas em dias de torneios, divulgados previamente no site oficial.

Fontes

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Um Pingback/Trackback

  • Paulo

    Parabéns pelo artigo sobre o “Hypodromo”. Na rua Itajaí, ficava uma área muito grande da Prefeitura, onde antes ficavam as estrebarias.

    Me lembro também da área da Rua Bresser, onde ficava o hipódromo. Era uma área muito grande, e da porta da casa dava para ver os eucaliptos daquele terreno.

    Instalaram nessa área uma unidade da Prefeitura, que era uma espécie de parque, uma escola e ainda sobrou terras para ouros usos.

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