Higiene bucal

A pasta de dente é importante no combate aos principais problemas odontológicos, como cáries, gengivites, tártaro, manchas nos dentes e remoção da placa bacteriana. Mas existem tantas marcas e tipos, quais são as diferenças? Como utilizá-la de modo correto? Como realizar uma higienização completa da boca?

O creme dental surgiu há cerca de 4 mil anos no Antigo Egito. Era uma substância altamente abrasiva e adstringente feita com pedra-pomes pulverizada e vinagre, esfregado nos dentes com um pequeno ramo de árvore. No século I, os romanos acrescentaram urina humana para deixar os dentes mais brancos. A partir do século XVII, com a Revolução Industrial e a utilização maciça da sacarose nos alimentos, a cárie dental explode no mundo de forma crescente. Em 1850, o dentista americano Washington Wentworth Sheffield desenvolveu um pó para limpar os dentes que se tornou bastante popular entre seus pacientes. Seu filho Lucius Sheffield o auxiliou a aprimorar a fórmula, possibilitando-a ser colocada em tubos. Assim foi criado o ‘Creme Dentifrício Dr. Sheffield’, considerada a primeira pasta de dente.

Entre as doenças crônicas orais existentes, a cárie é a que afeta o maior número de pessoas em todo o mundo. A cárie é consequência da formação da placa bacteriana, uma película fina e invisível que adere ao dente. A sacarose retira a proteção existente contra o ataque das bactérias da placa, num processo chamado desmineralização. A defesa do dente é feita pela saliva, que contém flúor proveniente do sangue, que força a reação química inversa, ou seja, a remineralização. O tártaro (ou cálculo dental) é a mineralização da placa bacteriana.

Pasta, creme ou gel?

Além do sabor, da textura e da sensação que traz, não existem maiores diferenças entre as formas. Os três preparos (conhecidos de modo geral como dentrifícios) têm capacidade de adesão à superfície onde serão aplicadas por um período de tempo (antes de serem removidos por lavagem), podendo ter as mesmas substâncias ativas em diferentes ou iguais concentrações. Existem dentifrícios de abrasividade baixa, média e alta. Um abrasivo (geralmente sílica hidratada ou mica) é fundamental para garantir a limpeza e o polimento dental. Desgaste e abrasão dental estão mais relacionados com o modo de escovar, o tipo de escova, as substâncias ácidas (refrigerantes, frutas) consumidas ou usadas antes da escovação do que com o poder intrínseco do abrasivo.

Qual a principal substância para proteção dos dentes?

O fluoreto (popularmente conhecido como flúor) apresenta efeito preventivo sobre cáries, e também altera os cristais do esmalte dentário, tornando-os mais resistentes. Os regulamentos em diferentes partes do mundo restringem o teor de fluoreto do creme dental para 1000 ou 1500 ppm para uso geral. O creme dental com alto teor de fluoreto é utilizada particularmente para a prevenção e o controle da cárie dentária entre indivíduos que apresentem alto risco. Sistemas de tratamento de água costumam colocar uma quantidade de flúor na água a ser distribuída para uso da população.

O bicarbonato de sódio é uma substância alcalinizante e tamponante, podendo (em tese) neutralizar os ácidos produzidos na placa dental quando da exposição a açúcar. As pastas antitártaro e antiplaca contém outras substâncias que reduzem a formação de tártaro (sua remoção eficiente é realizada através da raspagem dental executada por um cirurgião-dentista), como pirofosfatos, compostos de zinco e/ou co-polímeros, e antimicrobianas, como triclosan e citrato de zinco. Estudos com dentifrícios contendo nitrato de potássio têm mostrado média de 30% de redução de sensibilidade a jato de ar frio.

Existem vários outros compostos em uma pasta de dentes, responsáveis pela coloração, por fazer espuma e outras coisas, que são relacionados e explicados no link Do que é feita a pasta de dentes?

E quanto ao branqueamento/clareamento?

As pastas clareadoras baseiam-se no oxidante do peróxido, que descora os dentes ao oxidar pigmentos dentais, promovendo assim uma “remoção” química. A coloração vem do cigarro e de alimentos e bebidas com corantes (naturais ou artificiais), como beterraba, açaí, molhos coloridos (catchup, mostarda, shoyo), vinho, café e refrigerantes. Essa mudança de cor só afeta a cama translúcida do esmalte do dente. A dentina, que é o corpo principal do dente, também afeta a cor. À medida que envelhecemos, a dentina torna-se mais densa, deixando a coloração mais escura.

Quantidade ideal de pasta

Os comerciais mostram uma quantidade generosa de pasta de dente na escova, mas basta a quantidade equivalente a um grão de arroz para crianças e de uma ervilha para adultos. Deve-se antes da escovação utilizar fio dental para tirar pedaços de alimento que ficam presos entre os dentes. Recomenda-se fazer bochechos para remover os restos alimentares que foram soltos com o fio dental e pela escovação.

Qual escova usar?

Escovas macias são mais eficientes para remover a placa bacteriana e os resíduos de alimentos. Dê preferência às que tem cabeça pequena para poder mais facilmente alcançar todas áreas da boca, como, por exemplo, os dentes posteriores. Com relação ao tipo de cabo (por exemplo, flexível ou não), formato da cabeça da escova (retangular, cônica, etc.) e estilo de cerdas (com pontas planas, arredondadas, em diferentes níveis, etc.), escolha o que for mais confortável para você. Troque sua escova de dentes a cada três meses ou quando as cerdas estiverem desgastadas.

Quando e como escovar os dentes?

Sempre após as refeições, quando ocorre maior acúmulo de alimento, e antes de dormir, quando a produção de saliva diminui. Mesmo que a embalagem diga que ele “protege por X horas”, o contato com o alimento aciona novamente o início do processo de formação de placa bacteriana.

Como escovar os dentes e usar o fio dental. Fonte: Pedagógicos.

Como escovar os dentes e usar o fio dental. Fonte: Pedagógicos.

Para escovar os dentes corretamente, você precisa posicionar a escova em um ângulo de 45° para que algumas cerdas passem entre os dentes e as gengivas. Faça pequenos movimentos circulares nessas áreas e continue no restante dos dentes. Esse processo completo deve levar de um a dois minutos.

Bochechos

Os enxaguantes (ou antissépticos) bucais foram desenvolvidos com o intuito de serem coadjuvantes ao tratamento das doenças bucais e auxiliar a limpeza bucal em regiões que foram submetidas a procedimentos cirúrgicos. Podem atuar na boca matando as bactérias e/ou neutralizando o odor (dando um “cheirinho bom”), limpando onde a escova não alcança. Quando a necessidade é evitar a cárie aumentando a resistência dos dentes e reduzindo a produção de ácidos pelas bactérias cariogênicas, os enxaguantes indicados são os fluoretados. Já se a intenção é reduzir a ação das bactérias cariogênicas, indica-se os enxaguantes com cloreto de cetilpiridínio. A clorexidina, presente na composição de alguns enxaguantes branqueadores, embora seja um ótimo controle químico de placa bacteriana, não deve ser usada frequentemente, pois, segundo informações da própria embalagem, pode causar manchas nos dentes, em restaurações estéticas e alterar o paladar devido à sua ação nas papilas gustativas.

Não use produtos que contenham álcool em sua fórmula. Esse componente resseca a mucosa e provoca uma descamação. O enxaguante bucal deve ser usado sempre depois da escovação, fio dental e raspagem da língua. Todo enxaguante é formulado para uso sem diluição para se conseguir o efeito proposto. Veja mais no link Mitos e verdades sobre os enxaguantes bucais.

Mau hálito (halitose)

Muitas vezes a pessoa nem sabe que tem mau hálito, pois o olfato se adapta ao odor por tolerância. O epitélio olfatório rapidamente se cansa ou fadiga, se acostumando ao odor e falhando na percepção (fadiga olfatória). Em pouco tempo, o paciente com halitose se acostuma ao próprio mau hálito. A halitose é um sinalizador de que algo no organismo não está bem. Ou seja, nem sempre a halitose ocorre por falta da melhor higiene bucal. Uma pessoa que mantenha boa higiene oral mas encontre-se estressado, poderá apresentar um fluxo salivar baixo, o que compromete a auto-limpeza da boca.

Mais de 87% das causas do mau hálito provém da boca, e não de outras regiões, como o estômago. Dentre as possíveis causas, uma alimentação muita ácida pode causar mau hálito. Muitas vezes o excesso de catchup, mostarda, picles, alho, cebola, pode provocar queda do PH e, consequentemente, aumentar a acidez da boca. Cebolas e alhos são exemplos clássicos de criadores de mal hálito, porque as moléculas de odor nas cebolas e alhos são compostos de enxofre chamados mercaptanos.

A saburra lingual é um material viscoso e esbranquiçado ou amarelado, que adere ao dorso da língua em maior proporção na região do terço posterior, equivale a uma placa bacteriana lingual. Para evitá-la, escove a língua e coma muitas fibras. A maçã é uma ótima aliada do hálito saudável, pois tem fibras e estimula as glândulas salivares, além de ter potencial detergente limpando a língua. A ingestão de dez a doze copos de água por dia é outra boa recomendação, desde que a ingestão seja fracionada durante todo o dia para que a água não seja eliminada rapidamente do organismo.

ps: O adjetivo mau é antônimo de bom e o advérbio mal é antônimo de bem. Portanto, o certo é “mau hálito” (com ‘u’).

Fontes

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