Fotografia

A arte da fotografia se torna mais gratificante se seus resultados correspondem ao objetivo desejado: ângulo escolhido perfeito; iluminação com o efeito especial imaginado; realce da beleza do assunto da foto. Aprenda mais sobre sua história, conceitos envolvidos e dicas para boas fotos.

A palavra “fotografia” vem do grego e significa “escrever com luz e contraste”. Nós não vemos as coisas, e sim a luz que interage com os objetos e é refletida. Por sua vez, a luz é uma radiação eletromagnética cuja frequência corresponde à zona de sensibilidade do olho humano, que fica entre o ultravioleta e o infravermelho, passando por todas as sete cores do espectro luminoso: violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Na verdade, a cor é uma sensação resultante da impressão sintetizada pelo cérebro através da retina, que compreende três famílias de células (cones) especializadas na detecção das cores principais: vermelho, verde e azul. A luz ainda pode ser de luz fria (ou fluorescente, geralmente esbranquiçada), luz quente (ou incandescente, amarelada) ou luz negra (proveniente de materiais que brilham quando iluminados por radiação ultravioleta).

História

Aristóteles observou a imagem do sol, durante um eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua quando seus raios passarem por um pequeno orifício entre as folhas. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem. No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura – Leonardo da Vinci inclusive fez uma descrição da câmara escura em seu livro de notas.

Em 1550, o físico milanês Girolamo Cardano sugeriu o uso de uma lente biconvexa junto ao orifício, permitindo desse modo aumentá-lo, para se obter uma imagem clara sem perder a nitidez. A refração dos raios de luz no vidro da lente faz com que a cada ponto luminoso do objeto corresponda um pequeno ponto de imagem, formando-se assim, ponto por ponto da luz refletida do objeto, uma imagem puntiforme.

Imagem da primeira fotografia permanente do mundo feita por Nicéphore Niépce, em 1826.

Imagem da primeira fotografia permanente do mundo feita por Nicéphore Niépce, em 1826.

A primeira fotografia reconhecida é uma imagem produzida em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo fotossensível chamado Betume da Judeia. A imagem foi produzida com uma câmera, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luz solar. Nièpce chamou o processo de “heliografia”, gravura com a luz do Sol. Paralelamente, outro francês, Daguerre, produzia com uma câmera escura efeitos visuais em um espetáculo denominado “Diorama”. Daguerre também desenvolveu um processo com vapor de mercúrio que reduzia o tempo de revelação de horas para minutos.

Tempos depois, descobriram formas de gravar essas imagens em diferentes superfícies, originam os filmes fotográficos, antecessores das câmeras digitais. Veja mais detalhes dessa história da fotografia no site da Kodak, empresa pioneira da área e que atualmente atua em outros ramos.

Sensibilidade

Os trabalhos com muita ou pouca luz são influenciados pela sensibilidade à luz, originalmente representada para filmes fotográficos. Esse filme é constituído por uma base plástica, geralmente triacetato de celulose, flexível e transparente, sobre a qual é depositada uma emulsão fotográfica. Esta é formada por uma fina camada de gelatina que contém cristais de sais de prata sensíveis à luz que chega a ela através da lente da câmera. Os sais de prata, quimicamente chamados de haletos ou halogenetos de prata, podem ser mais ou menos sensíveis à luz.

A sensibilidade dos filmes é indicada por números do sistema ISO – International Standards Organization (antigamente ASA). De ISO 25 até 64 são filmes considerados de baixa sensibilidade e indicados para grandes ampliações, de ISO 100 até 200 permite-se ampliações maiores, com nitidez e definição (são indicados para uso geral) e de ISO 400 até 3200 são filmes de alta sensibilidade, indicados para fotos em locais de pouca iluminação, sem uso de flash ou para fotos de ação, que exigem maiores velocidades do obturador – grandes ampliações podem apresentar ligeira granulação. De modo geral, quanto maior o ISO, maior a sensibilidade à fraca iluminação dos ambientes – e maior a granulação.

Esquema mostra os efeitos obtidos com diferentes configurações da velocidade, abertura e ISO da câmera (Fonte: Reprodução/Exposure Guide).

Esquema mostra os efeitos obtidos com diferentes configurações da velocidade, abertura e ISO da câmera (Fonte: Reprodução/Exposure Guide).

Partes da câmera e conceitos

A câmera fotográfica recebe esse nome por ser uma caixa escura por onde entra um feixe de luz que sensibilizará um filme fotográfico ou um sensor CCD (ou CMOS). Outros componentes importantes são:

  • Lente – geralmente uma câmera possui um conjunto de lentes, chamado de objetiva, caracterizado pela distância focal (distância do centro óptico da lente até o ponto no qual convergem os raios paralelos que incidem nela, ou seja, o foco), . A distância focal curta compreende um amplo ângulo de visão, enquanto que a distância focal longa fornece imagens maiores de objetos mais distantes. As teleobjetivas são conjuntos de lentes compridos (como uma luneta), para fotografar objetos distantes, enquanto que as macro-objetivas fotografam objetos pequenos e muito próximos com nitidez. Existem ainda a objetiva grande angular (um dos tipos conhecido também como “olho de peixe”), que permite fotografar uma grande área mantendo o foco de tudo
  • Diafragma – conhecida como íris no caso de câmeras de vídeo, regula a entrada e intensidade de luz, assim como a extensão da profundidade de campo (efeito que descreve até que ponto objetos que estão mais ou menos perto do plano de foco aparentam estar nítidos). Quanto mais fechar o diafragma, maior é a profundidade de campo e mais escura fica a imagem, pois entra menos luz. A luminosidade resulta da razão entre o diâmetro da objetiva e sua distância focal, que é representada através do número f. Por exemplo, uma objetiva de 3 cm com distância focal de 13,5 cm terá razão de 1/4,5, portanto, F/4,5. Assim, quanto maior o número f, menor a abertura do diafragma.
  • Obturador – dispositivo da objetiva, colocado logo atrás das lâminas do diafragma, cuja função é regular o tempo de exposição (tempo durante o qual a luz penetra na câmera). Objeto mal iluminados necessitam de um tempo de exposição maior – se algo se mexer durante esse período, a imagem sairá borrada. Já para objetos em movimento, um pequeno tempo de exposição permite “congelar” a ação na imagem. Geralmente o obturador trabalha em sincronia com o flash.
  • Flash – tem como objetivos colocar luz em pontos mal iluminados e eliminar a influência do movimento da câmera, em vez de utilizar um grande tempo de exposição ou abertura grande para captar mais luz. Um flash tem alcance médio entre 4 e 6 metros. Quando acontece de os olhos ficarem vermelhos na foto, isso é o reflexo da luz do flash na pupila, mostrando os vasos sanguíneos. O recurso para redução de olhos vermelhos emite uma série de disparos antes da foto para fazer com que a pupila contraia.

A câmera digital calcula automaticamente a exposição ideal para cada situação combinando abertura, velocidade e fator ISO, mas por meio do ajuste do EV (exposição compensada) o usuário pode interferir e, com base em sua percepção visual, aumentar ou reduzir esta exposição. Veja mais sobre fotografia digital clicando no link e mais exemplos e diagramas explicativos no artigo “Explore o mundo da fotografia manual com sua câmera DSLR“.

Dicas para boas fotos

As dicas a seguir foram baseadas no Curso de Fotografia da Kodak:

1. Segure a câmera com firmeza – Uma mão sem firmeza apertando o botão disparador da câmera produzirá uma foto tremida. Segure firmemente a câmera com as duas mãos. Mantenha os braços junto ao corpo para dar maior firmeza. Aperte suavemente o botão disparador.

2. Aproxime-se do assunto – o assunto de interesse deve preencher a foto, sem espaços vazios ou com muito fundo. Tente fazer com que a sua foto diga: “este é o meu assunto”. Preencha um terço ou mais da área da foto com o assunto que você escolheu para fotografar. Atenção para a distância mínima recomendada no manual da sua câmera.

3. Escolha um fundo neutro e simples – Olhe através do visor de sua câmera e examine o cenário de fundo antes de pressionar o botão disparador. Uma foto em que não houve preocupação com o fundo por parte do fotógrafo, pode apresentar muita coisa atrapalhando e se misturando com o assunto em primeiro plano e, se aparecerem atrás da cabeça de uma pessoa, causam impressão desagradável (por exemplo um poste, uma árvore, um ramalhete de flores ou outro objeto). Movimente-se até eliminar tudo aquilo que possa desviar a atenção do assunto de sua foto – nessa era de selfies, é comum ver fotos no espelho e um monte de roupas bagunçadas no fundo. Experimente escolher como fundo o céu, a água ou a grama.

4. Mantenha as pessoas entretidas – Fotografe pessoas entretidas em seus ambientes naturais. Mostre uma criança brincando com sua bicicleta, ou um adulto esculpindo um objeto, etc. Converse com elas para mantê-las à vontade. Pergunte o que estão fazendo. Agindo assim, você fará com que elas fiquem relaxadas em atitudes espontâneas e sem fazer pose. O clássico “olha o passarinho” é bom pra avisar as pessoas que a foto será batida, mas tira a naturalidade da situação. Busque capturar a emoção das pessoas.

5. Componha um cenário – Estude a cena de sua foto. Coloque o assunto principal afastado do centro da fotografia. Para isso, existe a “regra dos terço”, na qual divide-se a fotografia em 9 quadros, traçando 2 linhas horizontais e duas verticais imaginárias, e posicionando nos pontos de cruzamento o assunto que se deseja destacar para se obter uma foto equilibrada. Os dois terços da imagem atingem o número 0,666, o qual se aproxima do comprimento da seção áurea de um segmento que é, 0,618, o número de ouro – uma proporção agradável de se observar. Ao fazer fotos de paisagens, acrescente algumas linhas acentuadas como uma estrada, cerca ou curso de um rio que direcionem a atenção para o assunto principal da foto. Observe o alinhamento das linhas horizontais e verticais da câmera, evitando fotos “caídas” ou tortas.

Regra dos terços e proporção áurea.

Regra dos terços e proporção áurea.

6. Observe a luz – Estude a luz antes de tirar a fotografia, como os tons dourados de um amanhecer ou pôr-do-sol. Verifique como a direção da luz afeta o assunto: luz frontal (o sol atrás de quem está fotografando), para obter fotos brilhantes e nítidas, mas pode gerar “caretas” na pessoa fotografada; iluminação por trás (o sol por trás do assunto), para criar silhueta, mas deve-se usar flash se não quiser o primeiro plano muito escuro; iluminação lateral (o sol iluminando um dos lados do assunto) para mostrar a textura do assunto.

7. Escolha um ângulo diferente – Movimente-se até encontrar o ângulo para tirar a foto. O simples fato de você se curvar, esticar ou abaixar pode melhorar bastante suas fotos. Comece com a escolha de ângulos diferentes. Ajoelhe-se ou deite-se no chão para mostrar flores no primeiro plano. Ou, então, fotografe do alto (da janela do segundo andar de um prédio, por exemplo) para mostrar os desenhos de uma calçada.

8. Congele a ação – O movimento está em toda parte: um “skatista” fazendo piruetas no ar e se apoiando em uma das mãos, ou uma gaivota sobrevoando e mergulhando no mar. Para câmeras com velocidades do obturador ajustáveis, utilize pequenos tempos de abertura a fim de “paralisar a ação”. Pressione o botão disparador um pouquinho antes do ponto culminante do movimento.

9. Observe outras fotografias criticamente – Visite as exposições de fotografia, consulte álbuns de reprodução de fotos premiadas, com senso crítico. Observe cada detalhe, procurando descobrir a regulagem utilizada, os efeitos conseguidos com lentes, filtros e as possíveis modificações que tornariam a foto ainda melhor. Assim, você estará aguçando a sua capacidade de observação.

10. Faça experiências – Desobedecer as regras pode levar a uma foto bastante original, aquela que faz você dizer em alto e bom som: “esta é minha foto preferida”.

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