Fernando de Noronha

O arquipélago de Fernando de Noronha possui praias que estão entre as mais bonitas do mundo e excelentes pontos de mergulho, além de uma história muito interessante. Fotos: ViniRoger.

Pôr do sol em Fernando de Noronha: Morro Dois Irmãos visto a partir do Forte São Pedro do Boldró. Foto: ViniRoger.

Pôr do sol em Fernando de Noronha: Morro Dois Irmãos visto a partir do Forte São Pedro do Boldró. Foto: ViniRoger.

História

Fernando de Noronha é um arquipélago formado por 21 ilhas de origem vulcânica, fazendo parte de uma cadeia de montanhas oceânicas cuja maioria está submersa. Ocupa uma área de 26 km² no Oceano Atlântico, a nordeste da costa brasileira. O Arquipélago não possui nascentes de água doce, sendo a água captada no período das chuvas e armazenada em açudes, poços artesianos (muitos já secos) e por dessalinização.

Foi descoberta em 1503 por uma expedição portuguesa, organizada e financiada por um consórcio comercial privado liderado pelo comerciante de Lisboa, Fernão de Loronha, que depois tornou a ilha uma capitania hereditária. A expedição estava sob o comando geral do capitão Gonçalo Coelho e levou o aventureiro italiano Américo Vespúcio a bordo, sendo que escreveu um relato sobre a ilha, nomeando-a Ilha de São Lourenço. Existem outras histórias envolvendo seu descobrimento mas que ainda são investigadas.

De 1635 a 1654, a ilha esteve ocupada pelos holandeses, de onde surgiram as primeiras modificações, como os experimentos agrícolas, a criação de animais e construções. Os holandeses a fortificaram, utilizando-a como presídio. Foram eles que ergueram um pequeno reduto, onde hoje é a fortaleza dos Remédios. Depois que foram expulsos, a ilha ficou novamente abandonada, e só em 1736 caiu nas mãos dos franceses, que ampliaram as fortificações mas que hoje estão em ruínas.

Em 1737, os portugueses, através da Capitania de Pernambuco, além de expulsarem os franceses, ergueram fortificações, as vilas de Nossa Senhora dos Remédios, com dois presídios, e a da Quixaba, que abrigou um alojamento para reclusos de mau comportamento. É desta época, o início da Colônia Correcional para presos comuns, que durou até 1938 – entre 1938 e 1945, Fernando de Noronha foi uma prisão política.

Foi visitado pelo HMS Beagle (do inglês Her/His Majesty’s Ship, que em português fica “Navio de Sua Majestade”) em 1832, no qual estava a bordo o naturalista Charles Darwin. O balão dirigível Zepellin também fez uma parada na ilha em 1933.

Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o arquipélago se tornou um território federal, que incluía o Atol das Rocas e o Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Desde 1988, constitui um distrito estadual de Pernambuco, sendo governada por um administrador-geral designado pelo governo do estado. O centro comercial em Noronha é Vila dos Remédios, mas não é considerada capital por ser a ilha um distrito estadual. Também nesse ano, a maior parte do arquipélago foi declarada Parque Nacional, com cerca de 11,270 ha, para a proteção das espécies endêmicas (só existem lá). Sua administração está a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Em 2001, a UNESCO declarou o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas como um Patrimônio Mundial. A organização citou os seguintes motivos para isso: a) a importância da ilha como área de alimentação para várias espécies, incluindo atum, peixe agulha, cetáceos, tubarões e tartarugas marinhas; b) uma elevada população de golfinhos residentes e c) proteção para espécies ameaçadas de extinção, como a tartaruga-de-pente e diversas aves.

Telecomunicações

No início do século XX, os britânicos, franceses e italianos chegaram a prestar cooperação técnica em telegrafia. Até 1975, não havia sistema de telefonia em Fernando de Noronha, toda a comunicação a viva-voz com o continente dependia do auxílio de dois rádio-amadores que viviam na ilha e davam apoio quando possível. No início o sistema era péssimo e somente com o satélite da Embratel foi possível melhorar e estabelecer uma comunicação razoável. Hoje, existem mais de 300 linhas telefônicas interligadas em DDI e DDD – prefixo 081.

Aeroporto

Existem três voos diários que partem para ilha: dois saindo de Recife (1h20 de viagem) e um de Natal (55 minutos), das empresas aéreas Azul e Gol (somente de Recife). Não existem voos direto de outras cidades porque a ilha não tem estrutura para reabastecimento das aeronaves para seguirem a outros destinos. A primeira pista de pouso foi construída em 1934. Em 1942, os americanos da Airport Development Program, construíram a nova pista e o terminal de passageiros para a rota aérea Natal-Dakar, permitindo o trânsito das aeronaves e pessoal durante a campanha dos Aliados da Segunda Guerra Mundial na África. Em 1975, houve ampliação para a aterrissagem de Boeings.

Lembrando que Fernando de Noronha tem 1 hora a mais com relação à hora de Brasília devido ao fuso horário – se tiver horário de verão, fica com o mesmo horário.

Atrações turísticas

(Cada vez que tiver que pagar, vou colocar um cifrão entre parênteses) Além das passagens ($) e hospedagem ($), o visitante deve pagar uma Taxa de Preservação Ambiental ($) por cada dia que for ficar na ilha (veja mais detalhes no site oficial de Fernando de Noronha). Caso vá entrar no Parque Nacional (o que é muito difícil não acontecer), deverá comprar também o ingresso ($).

Um passeio interessante para fazer é o “Ilhatur” ($): um passeio de buggy ou em uma 4×4 pelos principais pontos turísticos, permitindo ter uma ideia melhor de onde voltar nos dias seguintes. O passeio tem início sempre pela manhã (por volta de 8:00) com paradas de 30 minutos a 1 hora para banho e mergulho nas principais praias (geralmente praia do sancho, do leão e Baía do Sueste) com intervalo para o almoço (não incluso $) retornando em seguida para as praias e pontos turísticos encerrando com o pôr do sol. Recomenda-se equipamento para mergulho (nadadeiras, máscara, e snorkel) que pode ser levado pelo turista ou alugado no início do passeio ($).

Fernando de Noronha é um dos melhores lugares para a prática de mergulho do mundo, com visibilidade que pode chegar a 50 metros. O mergulho pode ser sem descer muito (chamado “imersão”) ou indo mais fundo (sendo necessário o uso de cilindros de ar comprimido $). Caso não tenha muita experiência em flutuar/nadar ou esteja com mobilidade reduzida, existem pessoas que podem puxar o turista na água ($). Você pode levar uma câmera para fotografar embaixo d’água ou alugar uma na cidade ($).

Também existem passeios de barco ($) que levam a lugares inacessíveis a pé, como a ilha da Rata e ponta da Sapata, nos extremos do arquipélago, e possibilitam uma visão de outro ângulo da praia, além de mergulho mais longe da praia (se o mar estiver com muitas ondas, a visibilidade diminui bastante). Você também pode fazer trilhas com guias ($), como a que vai para a praia do Atalaia. Todos os passeios podem ser contratados a partir do próprio hotel, e pegam o turista onde estiver hospedado.

  • Forte de Nossa Senhora dos Remédios – fortificação erguida sobre as ruínas de uma antiga posição holandesa. Possuía seis baterias (plataforma utilizada para dispôr uma ou mais armas de artilharia numa fortificação) e edificações de serviço (Casa do Comandante, Quartel da Tropa, Corpo da Guarda, Casa da Palamenta, capela, calabouços e cisterna).
  • Igreja de Nossa Senhora dos Remédios – construção iniciada em 1737, fica na Vila dos Remédios e apresenta nave-salão única com coro, e capela-mor, em cantaria de arenito. Próximo, tem o Memorial Noronhense.
  • Palácio de São Miguel – sede da administração, localizado na Vila dos Remédios. Edificado em 1947-1948 sobre as ruínas da antiga “Directoria do Presídio”, constitui-se de um casarão colonial erguido no centro da praça de armas da Vila dos Remédios com uma grande escadaria. Em frente, tem o monumento em homenagem aos aviadores portugueses Sacadura Cabral e Gago Coutinho, que passaram na ilha em 1922 na histórica travessia aérea do Atlântico Sul.
  • Morro Dois Irmãos – formação rochosa que emerge do fundo do Oceano Atlântico, na baía de Sancho.
  • Morro do Pico – com 321 metros de altura, é o cume de um grande sistema de montanha submarina de origem vulcânica que se ergue do chão do oceano a cerca de 4.000 metros de profundidade. A origem do vulcão Fernando de Noronha tem sido estimada entre 1,8 e 12,3 milhões de anos..

Praias

De um lado está o Brasil. Este é o “mar-de-dentro”, com 10 praias, duas baías desfrutáveis; uma especial, onde não se pode entrar: a Baía dos Golfinhos. Um mar tranquilo a maior parte do ano, protegido dos ventos. Veja algumas:

  • Baía e Porto de Santo Antônio – ancoradouro natural, possui uma embarcação grega – o navio Eleani Sthatathos – afundada no porto. Nas proximidades está o Forte de Santo Antônio, bastante arruinado.
  • Praia do Cachorro – Situada logo abaixo da Fortaleza dos Remédios, esta praia possuía uma fonte com a cara de um cachorro, em bronze. Há uma piscina em pedra (o “Buraco do Galego”) e as muralhas do Parque de Sant’Ana na parte alta.
  • Praia da Conceição – Nas marés altas, esta praia é ótima para a prática do surfe. Na maré mansa a praia é calma, com grande extensão de areia para ser percorrida, emoldurada de coqueiros.
  • Praia da Cacimba do Padre – Uma da maiores praias da ilha em extensão, onde fica o Morro Dois Irmãos. A descoberta, em 1888, pelo capelão do presídio, de uma fonte de água potável fez com ela passasse a ser chamada dessa outra forma.
  • Baía dos Porcos – Uma área de pequenas proporções, formada por pedras que são verdadeiras piscinas de peixes coloridos, limitadas pelo alto paredão de pedras pretas, tendo, em frente, o Morro dos Dois Irmãos. Na parte alta, está o Forte de São João Baptista dos Dois Irmãos, a última fortificação deste lado da ilha. O acesso à baía é difícil e feito por caminho entre pedras. Ganhou esse nome devido à semelhança que os americanos viram com a Baía dos Porcos de Cuba.
  • Baía do Sancho – águas límpidas e fundo de areia, permite a parada de embarcações para banho, sem causar danos aos corais. Isolada, limitada por uma falésia acentuada, pode ser alcançada pelo mar, em barcos, pelas escadas encravadas dentro de uma fenda na rocha, com uma fantástica abertura e degraus nas pedras ou escalando rochas a partir da vizinha Baía dos Porcos.
  • Baía dos Golfinhos – onde ocorre acasalamento e descanso dos golfinhos. É possível avistá-los de longe dando saltos na água ou navegar junto deles, que formam grupos com dezenas de indivíduos.
  • Ponta da Sapata – possui uma abertura, de lado a lado, na falésia, é chamada de “portão” e, de alguns ângulos, assemelha-se ao mapa do Brasil.

Do outro, a África. É o “mar-de-fora”, com 4 praias, uma enseada, duas áreas de contemplação e um conjunto de piscinas nas rochas. Um mar agitado, acalmado um pouco em alguns pontos pelos arrecifes que retêm o mar entre as pedras. Veja algumas:

  • Praia do Leão – areias muito brancas, piscinas em pedras, onde mais ocorre desova de tartarugas (nesse período, ninguém desce à praia após as 18h). Seu nome vem da enorme pedra que se assemelha vagamente a um leão-marinho deitado. Ao seu lado, outra formação rochosa – o Morro da Viuvinha.
  • Baía Sueste – mar calmo, excelente área para mergulho, também é um porto alternativo.
  • Praia de Atalaia – pedras negras, arrecifes e o Morro do Frade, no meio do mar.
  • Buraco da Raquel – Região contemplativa, tem seu nome tirado de uma enorme pedra à beira-mar, com grande cavidade, rodeada de piscinas rasas, cheias de peixes coloridos. Próximo, tem o Museu do Tubarão.
  • Ponta da Air France – onde se instalaram os franceses na década de 20, para prestar apoio à aviação. Na edificação que resta das três que compunham a antiga base de apoio, está instalada a Associação de Artistas e Artesãos Noronhenses, no chamado “Espaço Cultural Air France”.

Veja esse vídeo com algumas atrações (Baía dos Porcos, Praia do Sancho, Baía dos Golfinhos e Forte de Nossa Senhora dos Remédios):

No mapa a seguir de Fernando de Noronha (Google Maps), distingue-se a BR-363, que liga o Porto de Santo Antônio à Praia do Sueste, em Vila dos Remédios. Com seus 7 km, é a segunda menor rodovia federal (perde somente para a BR-488, que liga a Rodovia Presidente Dutra ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida). Ao centro, tem a pista do aeroporto:


Exibir mapa ampliado

Veja mais sobre outras ilhas do Atlântico Sul clicando no link. Fontes: Wikipedia, site Ilha de Noronha

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