Entrevista: meteorologista e divulgadora

A divulgação científica permite alimentar o pensamento crítico e a criatividade através do conhecimento, assim como conscientizar a população da importância dessa área na formação da sociedade. Além disso, a ciência é muito divertida! Uma pessoa que promove um grande trabalho nessa área é a Samantha Martins, meteorologista da Estação Meteorológica do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo), com graduação e mestrado no mesmo instituto.

Samantha na Feira USP e as Profissões (2014). Foto: Meteorópole

Samantha na Feira USP e as Profissões (2014). Foto: Meteorópole

Além dos atendimentos ao público na Estação, a Samantha mantém o site Meteorópole: um blog cujo assunto principal é a Meteorologia tratada de maneira que qualquer um interessado em aprender mais sobre essa ciência consegue entender. Além disso, são abordados outros assuntos como Astronomia, Ciências em geral, resenhas de livros, ficção científica, feminismo, estilo de vida e até maternidade – afinal, a vida não é um assunto só. Conheça um pouco mais sobre como ela chegou onde está e sobre seus trabalhos.

– De onde vem e como você desenvolveu esse seu gosto pela leitura e pela escrita?

Eu fui bem precoce nesse ponto. Meu pai me alfabetizou quando eu tinha apenas 4 anos. No entanto, eu só entrei na escola aos 6 anos. Eu ficava entediada, pois eu era a única criança da sala que já sabia ler. Então as professoras sempre me forneciam livros, revistas e gibis. Assim, meu gosto pela leitura foi bem precoce. Já com relação ao gosto pela escrita, desenvolvi aos 8 anos aproximadamente. Lembro que eu gostava de inventar histórias e escrever livrinhos (eu os grampeava e fazia uma capa, tudo bem bonitinho). Quando adolescente, também gostava de escrever em agendas e diários.

– Como começou a gostar de ciência? E de Meteorologia?

Meu interesse por ciência começou quando meu pai comprou a Enciclopédia Ilustrada do Estudante, da Globo. Um pouco depois, eu também passei a ter aulas de Geografia (eu tinha cerca de 11 anos) e a professora abordava Sistema Solar e camadas da atmosfera. Geografia e depois Ciências passaram a ser minhas matérias preferidas nessa época. E o interesse foi aumentando naturalmente.

– Quando e como começou a publicar coisas na internet? Como apareceu o site Meteorópole?

Eu comecei a publicar coisas na internet mais ou menos em 1999, quando fiz um site com fotos de uma viagem que fiz com minha família. O site estava hospedado no Geocities (quem se lembra?). Depois fiz um outro site no HPG, com coisas de meu universo de adolescente (ficção científica, rock, RPG, etc). Por volta de 2006 eu tinha um blog/site no Tripod, depois tive blogs no Blogsome e no Blogspot. Em 2010 a ideia de fazer um blog mais “profissional”, pagando hospedagem e com meu próprio domínio foi surgindo. Queria fazer um blog sobre Meteorologia, porém ao longo dos anos o blog foi ficando parecido comigo, no sentido de que passei a postar também sobre outros interesses e hobbies.

– Quando você estava grávida, você buscou muita coisa e compartilhou seus novos conhecimentos através do site. E outras futuras mães, fazem pesquisas assim também?

Eu recebo muitas mensagens de mamães e de futuras mamães, pelo site ou pelo meu perfil no Instagram. Muitas ficam felizes com o que leram em meu site, dizem que se inspiraram ou que obtiveram a informação que procuravam. Eu fico extremamente feliz pelo feedback.

Eu observo que as mães de hoje fazem muita pesquisa, leem bastante e sempre querem saber das novidades. Muitas mães que conheço tem essa preocupação e se a gente não tomar cuidado, essa preocupação positiva acaba virando angústia. Eu passei por isso. Por isso tento sempre passar informações de modo a transmitir tranquilidade e leveza.

Além disso, infelizmente há muita desinformação e até pseudociência no universo da maternidade e algumas mães acabam seguindo conselhos sem sentido (como as que aderem a onda antivaxer [contrárias à vacinação], por exemplo). Nos posts sobre gravidez e maternidade, sempre procuro ter cuidado em passar a informação da maneira mais científica possível, que é um cuidado que tento ter em outros posts também, claro. E no processo de escrever os posts e ler o feedback, evidentemente acabo aprendendo muito. E isso é muito bom!

– Como é o seu trabalho na Estação Meteorológica?

Meu trabalho é bem abrangente e recompensador. Eu ajudo no controle de qualidade dos dados meteorológicos, cuido do banco de dados desses dados. O controle de qualidade é diário, porém fazemos verificações periódicas também. Esses dados precisam estar em ordem para serem enviados para pesquisadores da área, que usam nossos dados em seus trabalhos acadêmicos.

Além disso, ajudo em cursos de cultura e extensão, que são cursos de divulgação científica para pessoas interessadas em Meteorologia. O bacana desses cursos é que lidamos com pessoas que não trabalham na área, mas querem ampliar seu repertório científico e cultural. Esses cursos são semestrais e é muito interessante participar da organização deles.

Também atendo turmas de alunos de ensino fundamental e médio, que vem conhecer a Estação Meteorológica e o Museu de Meteorologia. Dou palestras sobre meteorologia básica e fico feliz quando os alunos ficam encantados com os fenômenos meteorológicos mais severos (tornados e furacões os deixam de queixo caído).

Além disso, faço relatórios mensais, trimestrais e anuais sobre as condições meteorológicas observadas na Estação. E ajudo a cuidar do site e dos perfis nas redes sociais da Estação.

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