Dinossauros

A palavra “dinossauro” vem do grego “lagarto terrível” e refere-se ao clado/superordem “Dinosauria” (clado é um grupo de organismos originados de um único ancestral comum exclusivo). Apareceram há pelo menos 230 milhões de anos, no período Triássico, atravessaram o período Jurássico e foram extintos no final do período Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos.

Exposição dinos na Oca (São Paulo, 2016): reconstituições em gesso de esqueletos de dinossauro - o que sobrou de ossos de dinossauro está petrificado (foto do detalhe) ou faltam muitas partes, impossibilitando fazer uma montagem desse tipo. Fotos: ViniRoger

Exposição dinos na Oca (São Paulo, 2016): reconstituições em gesso de esqueletos de dinossauro – o que sobrou de ossos de dinossauro está petrificado (foto do detalhe) ou faltam muitas partes, impossibilitando fazer uma montagem desse tipo. Fotos: ViniRoger

Os dinossauros são um dos assuntos de estudo dos paleontólogos, que abrange desde animais pré-históricos menos antigos que os dinossauros, como os megafauna, até resquícios da ação de bactérias e insetos que viveram há centenas de milhões de anos. Inclusive, os pterossauros e outros lagartos voadores e os plesiossauros (que viviam nos mares) não são considerados dinossauros, apesar de serem contemporâneos. Todos os dinossauros viveram principalmente na terra e esse artigo do Smithsonian mostra que o pterossauro não pertencem ao ramo “Dinosauria“, o que também acontece com os pterossauros: são parentes mais próximos dos lagartos atuais do que das aves.

A Paleontologia é a ciência natural que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registro geológico, isto é, a formação dos fósseis. (Não sei porquê mas) Muita gente confunde paleontólogo com arqueólogo, que tem formações e trabalhos bem diferentes. A arqueologia é uma ciência social, que estuda o passado das sociedades através de seus restos materiais e suas intervenções no meio ambiente.

Descoberta

O primeiro dinossauro a ser descrito foi o Megalossauro em um trabalho publicado por William Buckland em 1824, apesar de que o naturalista Gideon Mantell já havia descoberto em 1822 o fóssil de um Iguanodonte, mas somente publicou a descrição em 1825. Inclusive, acreditava-se que um grande osso em forma de cone estaria localizado no nariz e o animal seria como um lagarto atarracado, mas depois descobriram que o osso estaria na mão e o iguanodonte era bípede.

Durante a primeira metade do século 20, a maior parte da comunidade científica acreditava que os dinossauros eram lentos e sem inteligência, no entanto, a maioria das pesquisas realizadas desde a década de 1970 indicaram que estes animais eram ágeis, com elevado metabolismo e com numerosas adaptações para a interação social.

Origens

Os dinossauros divergiram dos seus antepassados dinosauromorpha, um clado dos arcossauros (ou Archosauria), aproximadamente 20 milhões de anos depois que um evento de extinção do Permiano-Triássico extinguiu aproximadamente 95% de toda a vida na Terra. A datação de fósseis do primeiro gênero de dinossauro conhecido, o Eoraptor estabelece a sua presença no registro de fóssil de 235 milhões de anos. Desse período, também foram identificados o Herrerasaurus (também encontrado na Argentina), Staurikosaurus e Pampadromaeus (esses encontrados no Brasil).

Filogenia dos dinossauros representada em um dendrograma. Fonte: Fact Monster

Filogenia dos dinossauros representada em um dendrograma. Fonte: Fact Monster

Os dinossauros podem ser divididos em sete grupos:

Terópodes – faziam parte dos saurísquios (dinossauros com bacia de réptil) e eram bípedes. Dentre eles estão os maiores carnívoros da Terra, sendo que o maior deles encontrado é o o Spinosaurus aegyptiacus, com mais de 14 metros. Os mais famosos são o Eoraptor lunensis, o Tyrannosaurus rex e o Velociraptor mongoliensis (que nem era tão grande, na verdade tinha o tamanho de uma galinha grande).

Saurópodes – também faziam parte dos saurísquios e dentre eles estão os maiores animais que já habitaram a terra. Tinham um pescoço muito comprido que terminava em uma cabeça muito pequena e uma cauda também muito longa. Eram quadrúpedes, com patas altas, retas como colunas, terminadas em pés dotados de dedos curtos. Herbívoros, muitos não dispunham de mandíbulas e dentes apropriados para mastigar, de modo que engoliam grandes quantidades de matéria vegetal que, em seguida, eram “trituradas” no estômago por pedras ingeridas, chamadas gastrólitos. Gêneros bem conhecidos do Jurássico incluem Brachiosaurus, Diplodocus, Apatosaurus e Brontosaurus. Até o Cretáceo Superior, esses grupos tinham sido principalmente substituídos pelos titanossauros.

Anquilossauros – de corpo baixo e atarracado, tinham armaduras corpóreas providas de grossos espinhos e uma bola de fortes ossos fundidos que era usada como arma de defesa.

Estegossauros – tinham corpos gigantescos com cabeças minúsculas, fileiras duplas de enormes placas ósseas dispostas de ambos os lados da coluna vertebral (provavelmente com finalidade de acasalamento e regulação da temperatura no corpo), ferrões na cauda para defesa.

Ceratopsídeos – seu nome vem do latim “lagartos com chifre frontal”. Apesar dos primeiros membros do grupo, como o psitacossauro, serem pequenos animais bípedes e sem chifres, os membros surgidos depois, como o Centrosaurus e o Triceratops, tornaram-se quadrúpedes muito grandes e desenvolveram elaborados chifres faciais e cristas que se estendem ao longo do pescoço.

Paquicefalossauro – do grego “lagartos de cabeça espessa”, algumas espécies tinham o topo do crânio com vários centímetros de espessura, podendo apresentar formato de domo ou ainda adornado com espinhos.

Ornitópodes – boca em formato de “bico-de-pato” e aparelho mastigatório bem desenvolvido.

Na década de 1850, em calcários da Formação Solnhofen (sul da Alemanha), um dinossauro, inicialmente confundido com o Compsognato, foi descoberto com marcas de penas ao redor de seu fóssil. Conhecido como Arqueopterix, foi o primeiro de outros dinossauros encontrados com penas. Considera-se hoje que as aves são descendentes diretos dos dinossauros.

Evolução

A evolução das aves começou no período Jurássico, derivando a ave mais antiga dos dinossauros terópodes. A espécie conhecida mais antiga da classe Aves é Archaeopteryx lithographica, do período Jurássico Superior, apesar de que a Archeopteryx não é normalmente considerada uma ave verdadeira. As aves e a ordem Crocodilia são os únicos membros sobreviventes do clado arcossauro.

pomba

As aves modernas ainda carregam algumas características dos répteis, como a estrutura dos ossos. A ave Titanis, que habitava a América do Norte há 1,75 milhões de anos, não tinha dentes e tinha um bico córneo, por isso elas e as outras aves que tinham essa característica eram chamadas de Neornithes. A homeotermia endotérmica (“sangue quente”) é uma característica exclusiva das aves e dos mamíferos que evoluiu separadamente. A produção de calor pelo organismo das aves está relacionada à capacidade de oxidação dos alimentos, que depende de uma boa oxigenação dos tecidos, esta possível graças à ventilação do sistema respiratório e ao coração, provido de quatro câmaras.

Outro fator que interfere na manutenção da temperatura do corpo das aves é a presença de gordura subcutânea e de uma camada de penas. Quando a temperatura está baixa, as penas arrepiam, aumentando a camada de ar retida entre elas, promovendo o isolamento térmico. Ao mesmo tempo em que isso ocorre, também há uma maior oxidação dos alimentos, para produzir mais calor, o que consequentemente gasta mais energia. Já quando estão expostas a temperaturas muito altas, as aves mantêm as penas bem próximas ao corpo, a fim de diminuir a camada isolante de ar. Com maior controle da temperatura corporal, podem ficar mais ativos a noite e independentes do calor do sol durante o dia.

Extinção

A extinção do Cretáceo-Paleógeno (K-Pg) ocorrida há mais ou menos 65,5 milhões de anos teve um enorme impacto na biodiversidade da Terra e vitimou boa parte dos seres vivos da época, incluindo os dinossauros e outros répteis gigantes. O registro estratigráfico mostra, nessa época, a deposição de uma camada rico em irídio, um elemento químico pouco abundante na Terra e geralmente associado a corpos extraterrestres ou a fenômenos vulcânicos.

Reconstituições de esqueletos de dinossauros no Museu de Zoologia da USP. Foto: ViniRoger

Reconstituições de esqueletos de dinossauros no Museu de Zoologia da USP. Foto: ViniRoger

Diversas teorias tentam explicar essa extinção, inclusive algumas que mostram que a extinção dos dinossauros foi sendo gradual, ou seja, no cretáceo estavam mais espécies sendo extintas do que surgindo e somente espécies com menos de 40 kg estavam sobrevivendo. A teoria mais aceita atualmente considera a colisão de um asteroide com a Terra. Com aproximadamente 5 a 15 km de largura, ele colidiu nas proximidades da península de Iucatã (México), criando a cratera de Chicxulub, com aproximadamente 180 km de diâmetro.

Mas não foi o impacto em si que gerou a extinção, e isso também não foi instantâneo. Com o impacto, teria sido levantada poeira suficiente na atmosfera para impedir que a luz do Sol alcançasse a superfície. Como consequência disso, muitas espécies vegetais que realizam fotossíntese teriam morrido, assim como os dinossauros herbívoros e os carnívoros. Mais detalhes podem ser vistos nesse vídeo:

Dinomania

A década de 1990 teve uma grande divulgação de dinossauros, com o filme Jurassic Park (1993) e a série de TV Família Dinossauro (1991-94), mas sempre foi um assunto bem abordado nas artes. Veja alguns exemplos que vão desde o filme “O Mundo perdido” (adaptado da obra de Arthur Conan Doyle), passando por desenhos, séries e filmes ruins até jogos e filmes que inovaram nos efeitos especiais.

Fontes

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