Diagrama de Nolan

A política é a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações, Estados, organizações, empresas, condomínios, etc. Em um espectro tão grande de opções, é muito simplório encaixar uma doutrina em uma classificação com poucas opções. O Diagrama de Nolan é uma forma de comparar tendências políticas que visa romper com a clássica dicotomia “Direita X Esquerda”.

diagramaNolan

O Diagrama (ou gráfico) de Nolan foi criado pelo psicólogo Bob Altemeyer em 1969, sob influência das ideias do sociólogo Theodor W. Adorno e popularizado pelo libertário norte-americano David Nolan. Na sua forma original, tem duas dimensões, com um eixo X horizontal chamado de “liberdade econômica” e um eixo Y vertical chamado “liberdade individual”. Ele lembra um quadrado dividido em quatro quadrantes, com cada amostra da população atribuída a um dos quadrantes. Algumas versões apresentam um quinto quadrante central, em forma de losango, para indicar uma posição centrista.

  • Direita – defendem a não intervenção econômica e defende restrições em alguns temas morais
  • Esquerda – defendem restrições na economia e não intervenção em questões morais
  • Centrismo – equilíbrio entre intervenção e liberação
  • Libertarianismo – favoráveis à liberdade nos campos da economia e questões morais
  • Estatismo – favoráveis à restrição nos dois campos

Muitas variações do Diagrama de Nolan foram criadas, com algumas girando o gráfico 45 graus no sentido anti-horário para fazer com que a representação tradicional de esquerda/direita fique numa linha horizontal, conforme o espectro político tradicional.

Outra inovação importante é que o diagrama considera o espectro de tendências políticas como algo contínuo em vez de discreto. Ou seja, existem infinitas opções e podemos agrupá-las artificialmente em alguns grupos para facilitar sua compreensão. No entanto, essa restrição pode resultar em uma simplificação excessiva da realidade. Veja mais sobre mente descontínua no vídeo do link.

Visando criar um modelo mais completo, o Friesian Institute adicionou um terceiro eixo à ideia de Nolan, que reflete a distribuição do poder num eixo monárquico-anárquico. Quanto mais complexo um sistema estudado, maior o número de variáveis envolvidas na sua descrição. Além disso, o sistema deve ser auto-evolutivo, ou seja, ser capaz de incluir novas tendências que surjam sem precisar alterar sua estrutura e sem criar exceções. Talvez uma outra forma interessante de abordar esse problema fosse partir para uma estrutura mais dinâmica, considerando as origens dos movimentos e sua evolução com o tempo.

Teste

Para identificar em qual região do gráfico está a ideologia da pessoa ou partido político, deve-se realizar um teste com perguntas sobre economia e sociedade – quanto mais perguntas, mais assertivo é o teste. A partir da análise das respostas fornecidas, o diagrama posiciona o pensamento político do participante em um dos cinco grupos.

Veja algumas versões online do teste para encontrar seu posicionamento político no diagrama de Nolan:

Uma pesquisa que seria interessante fazer com esse material é o de submeter políticos de vários partidos e plotar no diagrama a posição de cada um deles com sua legenda partidária junto. Com isso, seria possível ver se a ideologia dos integrantes do partido estão afinadas (ou seja, todos os pontos estariam próximos), assim como verificar a real tendência ideológica do partido (pelo estatuto partidário, seu posicionamento sobre diferentes temas às vezes são muito generalistas).

Estado

Nas ciências sociais, e também no Realismo (uma das correntes dominantes de pensamento nas relações internacionais), o Estado deve ser definido a partir de sua capacidade de monopolizar a força coercitiva (ou seja, o poder interno), sem a qual não há ordem. No plano internacional, contudo, não há um “Estado” superior, havendo um comportamento anárquico. Assim, não há monopólio do poder coercitivo, resultando disso os conflitos e guerras em que mergulha a humanidade frequentemente.

Dessa forma, o âmbito internacional é perigoso, e os Estados devem pensar em estratégias de segurança para impedir que sua soberania (autoridade legítima de cada Estado sobre seu território e sua população) seja ameaçada, e para assegurar sua sobrevivência. Hobbes descreve esses fenômenos políticos, caracterizando a sociedade sem Estados como uma disputa constante de todos contra todos.

Muitas vezes, os Estados são obrigados a cooperar e fazer alianças para sobreviverem, sobretudo em função de um equilíbrio de poder, isto é, buscando manter um equilíbrio na distribuição de poder no plano internacional. Logo, se um estado se torna muito poderoso, os outros podem formar um bloco para neutralizar seu poder e reduzir seu perigo para a segurança de cada nação. No pensamento realista, a ética ocupa espaço reduzido, uma vez que, buscando a sobrevivência, os Estados podem quebrar qualquer acordo e desobedecer qualquer regra moral.

Fontes

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  • Vayne Solidor

    não tem uma versão longa em inglês ou português não!? eu detesto espanhol, e quanto maior, melhor!

    • Vinicius Roggério da Rocha

      Atualizei o post com mais duas versões em inglês, um com 10 e outro com 20 perguntas

      • Vayne Solidor

        obrigado…