Curtiss C-46

O “Curtiss C-46 Commando” é uma aeronave de transporte derivada do projeto do avião “Curtiss CW- 20”, inicialmente concebido em 1937 com o objetivo de introduzir um novo padrão em pressurização de cabine de aviões. Ele tinha um novo conceito de fuselagem que consistia em utilizar suas seções duplas em formato de bolha (por isso também conhecida como “dupla-bolha”) para resistir melhor à diferença de pressão em grandes altitudes.

Com a Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas Americanas sentiram a necessidade de transportar tropas e equipamentos para fronts distantes. A versão militar do aparelho poderia levar 40 soldados equipados para combate, além de carga disponível no porão. Em setembro de 1940, foi feita a primeira encomenda da USAAF, de 200 aeronaves, que se chamaram C-46 Commando.

Terminada a guerra, os Commandos foram cedidos a outros países. Foi o primeiro avião comercial que voou no Brasil com motor a jato, tendo sido operado pela FAB, Varig, Sadia e outras empresas aéreas – 96 aeronaves no total. Muitos continuaram em funcionamento como transporte de carga rústico em locais remotos até o século XXI.

Curtiss C-46 do Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger

Curtiss C-46 do Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger

A aeronave em exposição no Museu Eduardo Matarazzo (PP-VCE) teve seu primeiro voo em 1942 dentro da Força Aérea dos EUA. Participu de operações no Alaska e Europa. Com o fim da guerra, foi vendida para uma empresa no México. Foi adquirida em 1952 pela Varig, sendo vendida à empresa Arruda Indústria e Comércio Ltda. em 1968 (veja mais sobre a Arruda no post sobre o Lockheed Lodestar, que também pertenceu à empresa e acabou no mesmo museu). Em 1978, foi vendida para Taba (Transportes Aéreos da Bacia Amazônica) e, no mesmo ano, comprada por José Ronaldo da Silva, que a doou para o Museu Eduardo Matarazzo, em Bebedouro/SP.

A Varig foi a maior operadora dos aviões Curtiss C-46 Commando, tendo em sua frota perto de trinta aeronaves do modelo. Eram divididos em 4 grupos: Luxo (o PP-VBU e o PP-VBX, que faziam o voo diário POA-SD / SD-POA e tinham poltronas largas, duas a duas), Misto (poltronas 3/2), Cargo e a versão Super C-46. Inclusive, o VBU tinha uma saleta junto a cabine de comando dividida do resto dos passageiros por uma divisão de plástico transparente, com o Ícaro esculpido.

O primeiro voo da Varig para a Argentina foi realizado em 30 de junho de 1953, operado por uma aeronave Curtiss Commando. O voo de 53 foi liderado pelo comandante Götz Herzfeldt, que, na época, era diretor de operações da Varig. O serviço tinha três frequências por semana e saía do Rio de Janeiro, fazia escalas em São Paulo, Porto Alegre e Montevidéu para, depois, chegar a Buenos Aires. A aeronave, que tinha 38 lugares, voava a uma média de 300 km/h e levava 7 horas e 10 minutos para chegar ao seu destino.

C-46 comando exposto no MUSAL (FAB 2058). Foto: ViniRoger

C-46 commando exposto no MUSAL (FAB 2058). Foto: ViniRoger

Existe um C-46 exposto no Museu Aeroespacial (Rio de Janeiro). Juntamente com o FAB 2057 (acidentado na Bolívia em 1949), o FAB 2058 fez parte da frota da Força Aérea até ser aposentado em 1968. Recebeu a matrícula civil PP-PLB e foi posto à venda. Em fins de 1980, a aeronave foi trasladada para o Aeroporto Santos Dumont, onde permaneceu abandonada, e depois seguiu para Belém, onde operou na Táxi Aéreo Royal e foi novamente abandonada em 1996. No ano seguinte, a FAB começou o processo de readquiri-lo, sendo que seguiu voando para a oficina da VARIG para restauro da pintura que era utilizada quando voava pelo Parque de Aeronáutica dos Afonsos e em outro voo rumou para o Campo dos Afonsos. (Fonte: Rudnei Cunha)

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