Como calcular o gasto de energia dos eletrodomésticos

Uma forma de economizar na conta de energia elétrica é saber calcular quanto gasta cada eletrodoméstico. Afinal, um secador de cabelo ligado durante 10 minutos gasta o mesmo que uma televisão ligada pelo mesmo período de tempo? Como fazer essa conta? Julius (o pai do Chris) era mestre em saber economizar energia elétrica:

A potência elétrica é uma grandeza que mede a rapidez com que a energia elétrica é transformada em outra forma de energia (calor, luz, movimento, etc). Quanto mais energia for transformada em um menor intervalo de tempo, maior será a potência do aparelho.

Assim, o primeiro passo é saber a potência do aparelho em questão. Por exemplo, uma televisão de LED de 20 polegadas costuma ter uma potência de 60 W.

Esse “W” é o Watt, a unidade de energia consumida por unidade de tempo (ou seja, por segundo considerando o sistema internacional de medidas, SI). Certos aparelhos trazem o consumo em kW (ou quilowatt) – como o prefixo “quilo” significa mil, temos que 1 kW = 1000 W. Essa energia é conhecida como trabalho, que no SI é representado na unidade joule (J) e definido como o trabalho realizado por uma força de um newton (N) atuando ao longo de um metro (m) na direção do deslocamento.

Todo esse “fisiquês” é para falar que você deve multiplicar a potência do aparelho (em kW) pelo tempo de uso (em horas) para saber quanto de energia ele gastou. Caso a potência seja dada em W, basta dividi-lo por mil para ter a potência em kW – isso é feito para manter a unidade do consumo em kWh, ou seja, o famoso “quilowatt-hora”. O vídeo a seguir mostra o Seu Madrugando explicando que não toma banho para economizar os quilowatts (ou quase isso):

Observação: esse valor costuma indicar a potência máxima consumida, ou seja, o aparelho pode trabalhar em condições em que ocorre um consumo menor. Por exemplo, um chuveiro ligado na posição “inverno” consome mais perto do valor de potência máxima do que na posição “verão”. Mais detalhes estão nesse link . A potência máxima é o pico que o aparelho vai atingir, o que não significa que ele conseguirá manter, enquanto que a potência nominal é aquela que o aparelho conseguirá manter durante seu período de trabalho. Supondo uma fonte de computador de 500 W, ela pode manter 230 Watts durante todo o período em que estiver ligada, mas também pode atingir picos (por volta de meio segundo) de até 500 Watts.

Veja esse exemplo: usando a televisão duas horas por dia durante um mês de 30 dias, são 60 horas perdidas na sua vida de uso. Multiplicando 60 horas por 20 Watts, temos 1200 Wh (ou 1,2 kWh) em um mês. Alguns equipamentos tem uma etiqueta da PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) que já dão o valor em kWh/mês.

Para saber quantos reais isso vai custar, pegue sua conta de luz e procure o valor da tarifa (ou seja, quanto a companhia de energia cobra por cada KWh de consumo). Geralmente ele fica no campo “Descrição de faturamento”, onde está escrito “fornecimento (consumo X tarifa)”. Supondo que o valor seja, aproximadamente, R$0,40/kWh, isso significa que para cada 1 kWh (ou 1000 Wh), são cobrados 40 centavos.

De posse o valor da tarifa, basta multiplicá-lo pelo consumo total de seu aparelho. Nesse caso: 1,2 kWh vezes 0,40 centavos, o que dá 48 centavos de custo. Pode não parecer muito, mas isso vai somando para cada eletrodoméstico que tenha em casa. Inclusive no caso da televisão, ela costuma consumir mensalmente 4,30 kWh só de estar em stand by (ou modo de espera, quando fica aquela luzinha vermelha acesa, esperando um comando remoto, por exemplo). Com essa tarifa, daria mais R$ 1,72 na sua conta – note que você gastou mais com ela desligada do que ligada!

Clique na imagem para ampliar – infográfico com dicas de economia de energia elétrica

Veja mais

Um simulador de consumo de energia elétrica está disponível online e gratuitamente no site da COPEL. Você pode colocar todos os seus eletrodomésticos, separados por cômodos, e simular quanto vai ser a conta de luz no fim do mês.

O site da Aneel possui uma tabela com a potência dos eletrodomésticos mais comuns.

Nesse site, tem um exercício do ENEM que envolve a leitura do relógio medidor de consumo, calcular a diferença entre um mês e outro e multiplicar pelo valor da tarifa.

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  • bruna

    Eu tenho uma dúvida! Estou tentando aprender a calcular o gasto de energia dos aparelhos da minha casa. Li que a conta que devo fazer é: Potência do aparelho (W – que encontro nas etiquetas) x número de horas de uso por mês /1000. Assim encontro o kWh. Certo?

    Meu frigobar, que é um aparelho que por sua essência deve ficar ligado 24h por dia, tem 85W de potência segundo a etiqueta. A conta seria 85W x 720h / 1000, então cheguei a 61.2kWh. Mas na etiqueta procel de energia tá dizendo que o consumo dele é de 17.5kWh.

    O mesmo acontece com geladeira, adega, ar condicionado…As contas que eu fiz usando a potência que vem escrita na etiqueta x horas de uso /1000 nunca batem com a etiqueta procel de energia.

    Me explica por favor 🙁 não to entendendo nada…

    • Vinicius Roggério da Rocha

      Oi Bruna, acontece que esses equipamentos (frigobar,geladeira, adega, ar condicionado) funcionam usando compressor, que fica ligado apenas uma parte do tempo. Ele comprime o fluxo refrigerante para ser enviado ao sistema que retirará o calor do meio, e isso é feito algumas vezes por hora (é quando a geladeira faz barulho). Assim, eles ficam ligados em ciclos de 1:2 ou mesmo 1:3 (por exemplo, 10 minutos ligado e 20 minutos desligado ou 9 minutos ligado e 27 minutos desligado, respectivamente).

      Além disso, para calcular a eficiência no selo PROCEL, provavelmente os testes foram feitos na situação ideal: vazio e sempre fechado. Isso evita o sistema ser ligado mais vezes do que o padrão.

      Por isso que o cálculo dá diferente: a etiqueta mostra o consumo de quando o equipamento está ligado, mas apesar de estar sempre conectado na rede elétrica, ele não está ligado o tempo todo. Supondo que fique ligado um terço do tempo, o cálculo seria 20.4kWh. É um valor mais próximo do que está na etiqueta do PROCEL. Como é uma estimativa e não sabemos os detalhes dos testes, é difícil chegar exatamente no valor. Além disso, sua utilização no dia a dia já faz a condição de uso ser diferente das encontradas nos testes.