Aviões na sucata

Quando uma aeronave deixa de voar, seja por problemas mecânicos, de segurança, econômicos, burocráticos ou mesmo defasagem tecnológica, ela pode ter diferentes destinos. Algumas vezes, o avião vai para museus ou praças, permanecendo em exposição para o público – veja alguns exemplos na série Caçadores da Aeronave Perdida. Podem até ser reaproveitados como restaurantes, hotéis e espaço para eventos, assim como suas partes podem servir para fazer móveis, cenários de filmes e outros fins além da aviação.

Escadas rebocáveis (uma de altura fixa da Vasp, para Boeing 737, e outra com altura regulável, à venda por 8 e 12 mil reais, respectivamente) e uma carreta para carregar malas da Vasp (3 mil reais) - valores em junho de 2016. Foto: Sucatas Bim

Escadas rebocáveis (uma de altura fixa da Vasp, para Boeing 737, e outra com altura regulável, à venda por 8 e 12 mil reais, respectivamente) e uma carreta para carregar malas da Vasp (3 mil reais) – valores em junho de 2016. Foto: Sucatas Bim

Já em outros casos, é simplesmente abandonado ou segue para a sucata. Os itens mais valiosos são os motores e a unidade auxiliar de potência (APU) – um pequeno motor embutido na cauda do avião e que lhe fornece eletricidade de forma auxiliar aos motores principais. Os trens de pouso, mangueiras, fiação e outros componentes também podem ser reaproveitados, principalmente como peças de reposição quando o modelo do avião não é mais fabricado. Mas tudo depende do conhecimento documentado de toda a vida do componente, desde que saiu da fábrica – com registros completos sobre as horas de voo, número de decolagens e pousos, histórico de manutenções, etc.

Uma vez despojados de tudo o que pode ser reaproveitado, os aviões são literalmente cortados aos bocados, em pedaços de aproximadamente um metro quadrado. Um avião costuma ter grande quantidade de alumínio em sua fuselagem, asas e empenagem, por ser um material leve e resistente. Como é necessária uma grande quantidade de energia para fabricar alumínio, é um metal muito valioso na reciclagem. Pode ser reutilizado para fabricação de panelas, por exemplo.

Os vídeos da lista a seguir mostram como é o processo de reciclagem de um avião, incluindo as partes de “picotar” e separar o metal do plástico:

Mesmo indo para sucata, alguns aviões permanecem expostos nos estabelecimentos como chamariz. Alguns até vendem o avião para outras empresas, que geralmente o utiliza com o mesmo fim. Um “mock-up” do jato de ataque AMX, fabricado pela empresa AerMacchi em 1984, num ferro velho, na rodovia Santos Dumont (SP-75), em São Paulo – veja mais no fórum Outer Space. Veja essa galeria com alguns aviões localizados em terrenos de empresas de sucata:

Sucatas Bim em Campinas/SP (Rodovia SP 073, km 8)

  • Cessna 402 (serve como fachada, não está a venda)
  • PP-VNX – Boeing 737-300 da Varig (serve como fachada, não está a venda)
  • PP-VNZ – Boeing 737-300 da Varig, teve seu último voo em outubro de 2009 para São José dos Campos, permanecendo no pátio de sucatas da Embraer até ser levado para Campinas (fonte: Cavok)
  • PR-OAO – E120 Brasília da OceanAir
  • PT-SRF – E120 Brasília da OceanAir, chegou a ser operado pela Nordeste e foi desativado no final de 2007
  • PT-SLC – E120 Brasília fabricado em 1988, foi adquirido da Rio-Sul em 2003 pela OceanAir (depois Avianca Brasil) e operou até 2008
  • PR-OAS – Fokker Mk-28-100, começou sua carreira em julho de 1992 na American Airlines, foi adquirido pela Oceanair em fevereiro de 2008 e voou até setembro de 2013, sendo finalmente desmontado em janeiro de 2014

Ferro Velho S. Paulo em São Carlos/SP (Rodovia Washington Luiz, Km 233,5 sentido capital-interior – pertence ao grupo da Sucatas BIM)

  • PR-OAP – Fokker Mk-28-100, recebido originalmente em 1987 pela pela Atlantic Southeast Airlines, era operado nos Estados Unidos como N240AS; voou na Oceanair de 2003 a 2006; estava sendo restaurado para ser vendido em 2007, mas o negócio não deu certo e o avião continuou parado em Sorocaba/SP, onde acabou sendo canibalizado posteriormente. Atualmente, serve como fachada, não está a venda.

Casa Éco Ferro Velho em Curitiba/PR (R. Alceu Ferreira, 432)

  • Cessna Skymaster (serve como fachada, não está a venda)

No Ecosucatas em Mauá/SP (Av. Barão de Mauá, 3.857), ainda havia, em 2016, um trem de pouso de um Boeing 737-300 leiloado da Vasp.

Veja a galeria de fotos com os aviões nas sucatas (clique na miniatura para ver a imagem maior e completa):

Fontes: Público – Aqui reciclam-se aviões e Cultura Aeronáutica – Aeronaves desmontadas.

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