Aviões mais usados para aprender a pilotar

Além do conhecimento teórico, os aprendizes de pilotagem devem realizar algumas horas para tirar o brevê de piloto privado, piloto comercial ou multimotor. As aeronaves monomotor geralmente utilizadas são listadas abaixo – a última é um bimotor. Alguns aeroclubes, instituições da aviação e até prédios comerciais deixam expostos alguns exemplares que não voam mais como decoração.

Paulistinha

Produzido originalmente pela Companhia Aeronáutica Paulista, o CAP-4 (ou Paulistinha) tem construção simples (fuselagem feita em tubos de aço revestido em tela) reinou absoluto por várias décadas nos aeroclubes brasileiros. Com a evolução da tecnologia, começou a tornar-se extremamente defasado. A maioria dos exemplares em operação possui um painel simples, composto apenas por um tacômetro, indicador de temperatura e pressão do óleo, velocímetro, bússola magnética e altímetro. O trem de pouso convencional também afasta os iniciantes e restringe cada vez mais os instrutores. No entanto, seu baixo custo reflete em horas de voo mais baratas.

Veja mais sobre o avião Paulistinha clicando no link.

Aero Boero

Chegou ao Brasil na década de 1980 após um acordo entre os governos do Brasil e da Argentina. É um avião de trem de pouso convencional, com asas são feitas de alumínio reforçado e fuselagem do tipo treliça de aço soldado e revestido de tela. O AB-115 possui o motor com 85,8 kW (115 hp) de potência, que o torna limitado em alguns casos, enquanto que a versão AB-180 conta com um motor de 134,2 kW (180 hp), que permite seu uso como aeronave de instrução e reboque de planadores. O painel é bastante simples, contanto apenas com instrumentos básicos de voo. Assim como o Paulistinha, tem horas de voo mais em conta.

Aero Boero no Museu Aeroespacial. Foto: ViniRoger

Aero Boero no Museu Aeroespacial. Foto: ViniRoger

Existe um Aero Boero exposto em frente ao prédio da ANAC em Recife/PE e um exposto no Museu Aeroespacial no Rio de Janeiro/RJ.

Cessna 152

O C-152 foi lançado no final da década de 1970, construído a partir do Cessna 150. Possui fuselagem e asas construídas em metal e trem de pouso do tipo triciclo. Tem capacidade para dois pilotos e pode ser homologado para voo VFR e IFR. Até 1985, quando a Cessna encerrou a produção de todos seus aviões leves, haviam sido produzidos mais de 7.500 unidades do C-152. O modelo se tornou consagrado por seu voo suave, docilidade nos comandos e manutenção simples.

Cessna 172

O C-172 Skyhawk é o mais popular treinador da história. Lançado em 1957, possui quase 40.000 aeronaves produzidas. Possui quatro lugares, asa alta e é uma aeronave extremamente fácil de pilotar e robusta, podendo operar em pistas curtas e mal preparadas.

Um sobrevoo de Itu a partir de Jundiaí com um Cessna 152 pode ser visto no vídeo abaixo:

Cirrus SR20

A Cirrus Aircraft tornou-se líder absoluta no segmento em menos de duas décadas. As famílias SR20 e SR22 são inteiramente construídas em material composto e incorporam uma aerodinâmica inovadora e avançadas tecnologias, incluindo novos itens de segurança (como paraquedas e sistema de prevenção de estol) e de conforto/ergonomia. Equipado com o motor Continental IO-360-ES de 149,2 kW (200 hp), o modelo oferece uma excelente performance em todas as fases do voo. É de se esperar que tenha um custo maior na hora de voo, com poucas escolas oferecendo o avião.

EMB 712 Tupi

Produzido pela Embraer, o Tupi é praticamente uma versão do Piper Archer II. Possui fuselagem monocoque, com estrutura primária de liga de alumínio, trem de pouso fixo e asa semiafilada. Lançado em 1979, logo se consagrou por ser um avião relativamente barato e de operação simples. Permite algumas manobras semiacrobáticas como o oito preguiçoso, wing-over e chandele, mas não foi homologado para realizar parafuso. Muitos aeroclubes ainda operam o modelo, especialmente nos cursos de piloto comercial, já que é homologado IFR.

EMB 711 Corisco

Dentro do acordo de licenciamento com a Piper, a Embraer passou a produzir no país o P28R, batizado no Brasil de EMB 711 Corisco. Possui motor Lycoming de 149,2 kW (200 hp) e a capacidade de voar IFR. Com bom isolamento acústico e ventilação, é amplamente utilizado no curso de piloto comercial. Em 1980, a Embraer lançou o EMB 711 ST, conhecido como Corisco Turbo, com motor turbo-compressor e cauda em “T”. Com isso, o turbilhonamento do ar vindo da hélice não atinge o estabilizador horizontal, reduzindo sensivelmente a vibração e o nível de ruído. Possui passo de hélice variável e trem de pouso retrátil, exigindo um maior grau de conhecimento e habilidade.

Piper P28-140 Cherokee

A Piper Aircraft é uma fabricante de aviões fundada em 1927 nos Estados Unidos. Juntamente com a Beechcraft e a Cessna, é considerada uma das três grandes fabricantes de aviões de uso geral. O Cherokee surgiu da necessidade da Piper, na década de 1960, de dispor de uma aeronave versátil e de baixo custo. O projeto básico deu origem a diversas versões, que também foram produzidas pela Embraer. Geralmente é empregado na instrução primária, durante os voos VFR e oferece um bom conforto interno e boa precisão nos comandos.

No vídeo abaixo, estão dois exemplares expostos no Aeroclube de São Paulo: um na entrada e outro no interior do Bar Brahma.

Piper Seneca

O Seneca é um avião bimotor e continua sendo um dos mais vendido no mundo em sua classe. Durante o período em que foi produzido no Brasil, chegou a representar quase 30% de todos os aviões leves entregues pela Embraer, que montou 876 unidades. Os mais populares são o Seneca I e Seneca III. Com um custo de operação relativamente baixo para um bimotor, o modelo ainda tem como trunfo o baixo consumo de combustível. Entre as diferentes versões disponíveis varia basicamente a performance e os instrumentos disponíveis, mas, no geral, todos atendem perfeitamente à instrução aérea, podendo o aluno realizar os voos IFR e multimotor simultaneamente.

Fonte: Aeromagazine – Aviões para aprender a pilotar.

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