A Era da Manipulação

O livro “A Era da Manipulação”, de Wilson Bryan Key, tem como objetivo mostrar como a mídia seduz e manipula sua mente. Mesmo lançado em 1989, é possível notar como vários pontos continuam atuais. Afinal, apesar da tecnologia ter avançado bastante, a espécie “ser humano” continua a mesma nesse período, sujeita ainda às mesmas condições psicológicas de uma sociedade voltada ao consumo.

Capa polêmica do livro "A Era da Manipulação": consumismo auto destrutivo.

Capa polêmica do livro “A Era da Manipulação”: consumismo auto destrutivo.

Um ponto muito apresentado é o das mensagens subliminares: imagens e sons passados de modo a influenciar a opinião do ser humano, mas abaixo do liminar de percepção consciente. Cada detalhe de uma imagem veiculada em um anúncio seria minuciosamente trabalhada para mexer com o ser humano inconscientemente. Afinal, um simples anúncio pode custar milhares ou milhões de reais e a percepção humana é extremamente sensível aos detalhes.

No entanto, a propaganda normal já controla a pessoa sem que ela saiba disso. Estudos que mostram que uma inserção de centésimos de segundo de uma propaganda de refrigerante no meio de um filme e levaram a um aumento no consumo da bebida não conseguiram ser reproduzidos. O registro se perde muito rápido e não gera influência na memória de médio prazo. Veja mais no episódio do Nerdologia sobre mensagens subliminares:

Apesar do livro bater muito nessa tecla, ele também levanta muitos pontos interessantes. Tudo é discutível, o que é condizente com a ideia do livro: servir de ponto para reflexão e discussão, sem pensamentos fechados e definidos.

No momento que uma pessoa aceita uma realidade objetiva, uma verdade eterna, ela tornou-se vulnerável, manipulável e eminentemente explorável. Ela deixou de agir como um indivíduo autônomo, criativo e pensante vivendo um mundo integrado e interdependente.

Para se ter uma ideia da força da propaganda, o autor afirmar que se Karl Marx escrevesse hoje em dia, ele diria que “a mídia comercial há muito tempo substituiu a religião como ópio das sociedades de alta tecnologia”. A meta final de toda ideologia é uma utopia mitológica e inalcançável. Assim devem se manter, como uma cenoura na ponta da vara que mantém o asno caminhando.

A publicidade não tem por objetivo vender o produto mas criar condições para que a pessoa o queira muito. O público, com o reforço da mídia, constróis uma realidade fantasiada de um povo ou de uma situação. Cria generalizações estereotipadas, classificadas artificialmente em boas ou más (sem meio termo). E essa falsa dicotomia é um perigo: as soluções simplistas geralmente intensificam os problemas que propõe a resolver.

O fisiologista Ivan Pavlov ensinou cães a salivarem na expectativa de receberem comida quando ouviam o som de uma campainha. As pessoas também podem ser condicionadas para salivarem com um comercial ou quando verem o produto em uma prateleira de supermercado.

O psicólogo B. F. Skinner manteve pombos em um ambiente fechado no qual a comida era dada em momentos aleatórios. No entanto, os pombos relacionaram movimentos realizados por eles com a chegada da comida. Por exemplo, acreditavam que toda vez que dessem uma volta completa, apareceria comida. Parece que não podiam aceitar a realidade de que sua comida era controlada por forças externas sobre as quais eles não tenha influência ou controle.

A promessa implícita no consumo gerado pelos anúncios é a aceitação e participação na boa vida apresentada na mídia – uma promessa que nunca será cumprida e uma expectativa que nunca será satisfeita, resultando em um “consumir para produzir, produzir para consumir” sem fim. A letra da música “Beautiful People“, de Marilyn Manson, aborda artisticamente essa questão.

O crescimento de cursos voltados exclusivamente para obter-se empregos e decadência dos que ensinam a pensar criticamente é observável na nossa sociedade. Isso torna o nosso coletivo humano cada vez mais facilmente influenciável não só por forças de consumo comercial, mas também ideológico, levando ao apoio de certas políticas que podem causar malefícios diretos e indiretos ao próprio povo.

O matemático Nigel Howard, que trabalho com a Teoria dos Jogos, afirmou que se uma pessoa toma consciência de uma teoria com relação ao seu comportamento, ela não está mais presa por esta teoria. Ela está livre para desobedecer. A melhor das teorias é impotente frente a sua anti teoria.

Estatísticas também pode ser utilizadas para manipular as pessoas e esconder fatos de diversas formas: veja algumas delas no post sobre Manipulações de estatística.

Fica aqui também a dica desse link com uma lista alguns filmes para não ficar alienado.

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